O Auto de São Lourenço

Glacy Magda de Souza Machado

Resumo


Resumo: Considerando que o teatro do padre José de Anchieta foi todo concebido dentro dos objetivos da Contra-Reforma, neste ensaio procuramos estabelecer uma relação entre os Autos de Catequese desse padre e as representações religiosas e de moralidade da Idade Média. A retomada desses valores se justifica como meio de difundir a fé católica, utilizando-se do princípio horaciano de “deleitar” e “instruir”, tão caro aos jesuítas. No Auto de São Lourenço, especificamente, notamos alguns pontos de convergência com o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, notadamente quanto ao tema religioso e à personificação de valores morais. Porém, enquanto Gil Vicente tece algumas ironias no que diz respeito ao Clero, Anchieta ridiculariza as práticas indígenas aqui encontradas, recorrendo às representações concretas do teatro para impor ao colonizado a cultura do dominador e incutir-lhe na alma o horror ao “pecado”.

Palavras- chaves: teatro medieval, cultura, índio, fé, jesuítas.

 

Abstract: Considering that José de Anchieta’s theater was conceived by the principles of movement named Counter-Reformation, in this essay we try to establish a relationship between the catechesis dramas written by that priest and religious representations of Middle Ages. At that time, trying to spread the catholic faith, the Jesuit used funny representations in theater to teach religious and moral values to people. In O Auto de São Lourenço, we see some similarities with O Auto da Barca do Inferno, written by Gil Vicente, specifically by the choices of religious themes and the personification of moral values. However, while Gil Vicente is ironic with the clergy, Anchieta makes joke with the Indians’ practices he found here and uses the concrete representations of his theater to impose the dominant culture to colonized people, putting in their soul the horror of sin.

Key-words: Middle Ages theater, culture, Indian, faith, Jesuits.


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Referências


ANCHIETA, José de. O Auto de São Lourenço. Introdução, tradução e adaptação de Walmir Ayala. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997.( Coleção Prestígio).

BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

CARLSON, Marvin. Teorias do teatro. Estudo histórico-crítico dos gregos à atualidade. Trad. Gilson César Cardoso de Souza. São Paulo: Ed. da Unesp, 1997.(Prismas).

VICENTE, Gil. Três autos. Da alma, da barca do inferno, de Mofina Mendes. Adaptação de Walmir Ayalla. Rio de Janeiro: Ediouro, 1962. (Coleção Prestígio).




DOI: https://doi.org/10.19134/eutomia-v1i01p%25p

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