Coerções e liberdades textuais: o relato de viagem na aprendizagem do FLE

Eliane Gouvêa Lousada, Suélen Maria Rocha

Resumo


Neste artigo, mostraremos alguns dos resultados de uma pesquisa realizada acerca do ensino, da aprendizagem e do desenvolvimento da produção escrita em francês como língua estrangeira, por meio do gênero textual “relato de viagem”. Os aportes teóricos que orientaram nossa pesquisa apoiam-se, sobretudo, nos pressupostos do interacionismo sociodiscursivo (BRONCKART, 1999/2009, 2006b, 2008; MACHADO, 2009) e nos estudos de Schneuwly e Dolz (2004/2010) sobre a utilização dos gêneros textuais como instrumento no ensino e aprendizagem das capacidades de linguagem dos alunos. Para atingir os objetivos específicos desta pesquisa, que foi investigar como os alunos inserem marcas de estilísticas em seus textos, baseamo-nos, paralelamente, nas discussões sobre estilo a partir de alguns autores (BRONCKART, 1999/2009, 2006a; CLOT, 2007; BRANDÃO, 2005a, 2005b), mas, principalmente, na discussão acerca das coerções e liberdades textuais de Bronckart (2006a). Os resultados que apresentaremos neste artigo mostrarão que, sob inspiração dos textos vistos em aula, em suas produções finais, os alunos mobilizaram recursos discursivos e linguísticos menos canônicos, o que nos levou a concluir que, nesses textos, houve desenvolvimento de algumas marcas estilísticas, indicando, portanto, um deslocamento das restrições do gênero em direção ao exercício de sua liberdade textual.


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DOI: https://doi.org/10.19134/eutomia-v1i13p581-603

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