Conseqüências sócio-econômicas dos impactos antrópicos no rio São Francisco em Brejo Grande, Sergipe – Brasil.

Marluce Rocha Melo de SOUZA, Sigrid NEUMANN-LEITÃO

Resumo


Estudos foram realizados no estuário do rio São Francisco, em Brejo Grande, Sergipe (Brasil) em 1997 e 1998, objetivando avaliar os efeitos dos impactos ambientais nas comunidades de pescadores da área, tentando relacionar homem-natureza. Dados sócio-econômicos foram obtidos através de formulários de entrevista padronizado com os pescadores, nos Povoados Cabeço e Saramém, e na sede municipal de Brejo Grande, além de informações com pessoas chave da área. Foi registrado que maioria dos pecadores vive com um a dois salários mínimos por mês, sendo que os do Cabeço e Saramém por dependeram mais da pesca têm qualidade de vida mais limitada, habitando geralmente casas de taipa com telhado de palha, enquanto que os de Brejo Grande por terem outras atividades alternativas, apresentam melhores condições de moradia (casa com paredes de tijolo e telhado de cerâmica). A maioria dos pescadores está na atividade pesqueira a menos de 20 anos e sai para pescar quase todos os dias, mas destaca a grande queda na produção pesqueira de toda área. A embarcação mais utilizada é o barco a remo e vela, o que leva a uma maior atividade pesqueira no próprio rio. Apenas os pescadores do Cabeço saem para pescar no mar dependendo da época do ano. Vários tipos de artes de pesca são usados, alguns predatórios. Mais de 20 espécies de peixes são capturadas, além de camarões. A captura de caranguejos vem se desenvolvendo mais nos últimos anos, principalmente nos canais onde há manguezais, como alternativa à queda na produção de peixes e camarões. Esta pescaria de caranguejos tem sido predatória, o que acarretará numa futura queda de estoque. A produção no Cabeço e Saramém fica entre 100 e 200 kg mensais por pescador, enquanto em Brejo Grande é menor que 50 kg. A venda e conservação são praticadas na maioria por intermediários, sendo distribuídos na circunvizinhança até Aracaju e Maceió. A maioria dos pescadores do Cabeço faz partilha, enquanto os de Saramém e Brejo Grande não a realizam. Observou-se que a comunidade do Cabeço por ser mais isolada e depender uns dos outros têm senso de união e partilha maior que as outras. Devido os impactos na área do Cabeço, decorrente de forte processo erosivo, destruindo toda cidade, existe um problema sério de moradia e condições mínimas de vida, sendo necessário transferir o povoado para outra área. Entretanto, os interesses por soluções que minimizem as subcondições de vida limitam-se à prefeitura do município de Brejo Grande, pobre em recursos. O baixo nível de escolaridade da maioria dificulta atividades alternativas, além da pesca da qual são tradicionalmente dependentes. O maior problema enfocado foi o do desemprego decorrente da queda da produção do rio, cujas águas, segundo os pescadores “não melam mais”, não ficam barrentas.

Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.5914/tropocean.v28i1.2722

Apontamentos

  • Não há apontamentos.