Estrutura populacional e utilização de conchas pelo caranguejo Ermitão Calcinus tibicen (Herbst, 1791) (Crustacea, Decapoda, Diogenidae)

Luciana de Matos Andrade BATISTA-LEITE, Petrônio Alves COELHO, Tereza Cristina dos Santos CALADO

Resumo


O objetivo deste estudo foi investigar a estrutura populacional e a utilização de conchas pelo caranguejo ermitão Calcinus tibicen (Herbst, 1791) (Crustacea, Decapoda, Diogenidae) do Parque Municipal Marinho de Paripueira, localizado na costa norte do estado de Alagoas entre as coordenadas 09º22’50’’-09º30’00’’ S e 35º36’14’’-35º30’00’’ W. A amostragem foi aleatória, realizada mensalmente, durante a baixamar, no período de junho/1998 a maio/1999. No laboratório, as conchas foram identificadas e os caranguejos foram retirados, identificados, avaliados quanto ao sexo e mensurados o comprimento dos escudos cefalotorácicos (CEC). Do total de 1.042 conchas de Gastropoda que foram coletadas, constatou-se que 67 estavam vazias, 9 com Mollusca e 966 habitadas por caranguejos ermitões. Dentre as oito espécies de caranguejos ermitãos registradas para o Parque, foram amostrados 359 indivíduos de C. tibicen (287 machos, 59 fêmeas não ovígeras e 13 fêmeas ovígeras). Os machos apresentaram o comprimento médio do escudo cefalotorácico de 5,90±1,30 mm (CECmín.: 2,30 mm; CECmáx.: 8,80 mm), enquanto o das fêmeas foi, em média, de 5,09±1,08 mm (CECmín.: 3,00 mm; CECmáx.: 8,10 mm). Assim pôde-se inferir que os machos são em média maiores 0,81 mm que as fêmeas [t= 4,86; g.l.= 358; p<0,01]; a disparidade na proporção total de macho:fêmea (4,0:1), diferiu significantemente da taxa esperada de 1:1 [χ 2 = 67,28; g.l.= 11; p<0,01]. Calcinus tibicen utiliza 12 espécies de conchas de Gastropoda, todavia 63,33% dos caranguejos ocupam, preferencialmente, as conchas de Astraea tecta olfersii (Phillipi, 1846). A porcentagem de machos, fêmeas não ovígeras e fêmeas ovígeras que utilizam conchas de A. tecta olfersii é de 76,35%, 70,59% e 81,82%, respectivamente. Palavras-Chave: Calcinus tibicen, estrutura populacional, utilização de conchas, Alagoas, Brasil.

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DOI: https://doi.org/10.5914/tropocean.v33i2.5054

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