Fluxos de nutrientes inorgânicos dissolvidos em um estuário tropical – Barra das Jangadas – PE, Brasil

Carlos DELGADO NORIEGA, Kátia MUNIZ, Moacyr Cunha de ARAÚJO, Rysoaurya Keyla TRAVASSOS, Sigrid NEUMANN-LEITÃO

Resumo


A previsão dos efeitos antropogênicos requer compreensão dos processos de transporte que geram fluxos. O exemplo de estudo, estuário de Barra de Jangadas-PE, Brasil, sofre uma forte pressão demográfica, recebendo grandes quantidades de resíduos industriais, principalmente provenientes das atividades da cana-de-açúcar e álcool, produtos alimentícios, indústria têxtil, entre outras. O estudo foi desenvolvido durante o inverno de 2003 (Julho) durante um período de sizígia. O objetivo principal deste trabalho foi caracterizar a dinâmica dos câmbios de nutrientes na interface rio-oceano através da quantificação dos fluxos na zona de confluência dos rios no referido estuário, com a finalidade de estimar a importação e exportação diária. Importantes variações foram detectadas ao longo do ciclo temporal estudado. Altos fluxos de amônia (608,00 kg.d-1) e, silicato (18.480,00 kg.d-1) evidenciou um aumento nos aportes antropogênicos diretos e indiretos influenciados pelo aumento na descarga fluvial neste período. A relação N:P e Si:P (Redfield) 18:1 e 86:1 respectivamente, evidenciou o fosfato como elemento limitante, sendo corroborado pelas diferenças entre as concentrações do dia e da noite (∆%=10). As altas concentrações dos nutrientes na baixa-mar e enchente são reduzidas paulatinamente quando o estágio de preamar chega a seu estofo, renovando a água, permitindo a degradação oxidativa da matéria orgânica, e dando à zona de mistura estuarina uma maior capacidade de depuração, que é mantida até a chegada do seguinte estágio de maré, onde a influência fluvial novamente se faz sentir. As variações nos fluxos apresentaram seu máximo nos horários de tarde e noite, sendo atribuído à atividade biológica e decomposição da matéria orgânica. Palabras-chave: fluxos, importação, exportação, interface.

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DOI: https://doi.org/10.5914/tropocean.v33i2.5057

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