Selênio em tecidos de quatro organismos marinhos da baía de Guanabara-RJ.

Tércia Guedes SEIXAS, Helena do Amaral KEHRIG, Isabel MOREIRA, Olaf MALM

Resumo


As concentrações de selênio foram determinadas em tecidos de diferentes organismos marinhos coletados na Baía de Guanabara, entre 2000 e 2003. Foram analisados o tecido muscular e o fígado de 79 indivíduos de peixe com diferentes hábitos alimentares, Micropogonias furnieri, Bagre spp., Mugil liza, (carnívoro, onívoro e iliófago) e os tecidos moles de 40 indivíduos de mexilhão, Perna perna, (filtrador). As amostras sofreram uma digestão ácida e foram analisadas por Absorção Atômica com forno de grafite (GF-AAS) equipado com corretor Zeeman. O fígado foi o órgão que apresentou as maiores concentrações de selênio para todas as espécies de peixe. As concentrações de selênio no tecido muscular foram mais elevadas no peixe carnívoro (0,12-1,25 µg.g-1 p.u.). As espécies de peixe onívoro e iliófago apresentaram concentrações de selênio no tecido muscular similares, na faixa de < 0,05-0,18 µg.g-1 p.u., e estas foram similares às encontradas nos tecidos moles do mexilhão (0,16-0,21 µg.g-1 p.u.). O tecido muscular mostrou ser o único tecido a sofrer influência direta do hábito alimentar. Os peixes carnívoro e iliófago apresentaram uma correlação significante (Spearman) e positiva entre a concentração de selênio no tecido muscular e o comprimento total dos indivíduos. O peixe carnívoro foi a única espécie que apresentou uma correlação significativa entre as concentrações de selênio nos dois tecidos analisados (músculo e fígado). O mexilhão apresentou uma correlação significativa entre a concentração de selênio nos tecidos moles e o índice de condição (IC). Não foram observadas diferenças significativas (p<0,05) entre as concentrações de selênio nos tecidos moles dos mexilhões entre os diferentes locais de coleta dentro da baía. As espécies estudadas apresentaram concentrações de selênio em seus tecidos semelhantes às encontradas em ecossistemas considerados não impactados. Palavras-chave: selênio, peixes, mexilhão, Baía de Guanabara, hábito alimentar.

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DOI: https://doi.org/10.5914/tropocean.v33i2.5063

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