A corrupção no estado: Uma análise histórica e institucionalista a partir das contribuições de Raymundo Faoro e Sérgio Buarque de Holanda

Autores

  • Herton Castiglioni Lopes

Resumo

O objetivo do trabalho é fazer uma análise histórica e institucionalista da corrupção no estado a partirdas interpretações do Brasil de Raymundo Faoro e Sérgio Buarque de Holanda. Ao longo do trabalhoprocura-se demonstrar que a corrupção está relacionada à concepção de Estamento Burocrático deFaoro e Homem Cordial de Holanda. No primeiro caso, o estamento translada de Portugal ao Brasilcom nossos colonizadores e faz com que o estado nacional seja composto por pessoas que colocam osinteresses privados à frente dos interesses públicos. No segundo, a corrupção é explicada pela ideia dehomem cordial, que penetra no estado brasileiro e faz com que as relações pessoais sobreponham-seàs impessoais, incentivando práticas que não são compatíveis com um estado eficiente. A partir dasinterpretações históricas de Faoro e Holanda e com o referencial de Veblen demonstra-se que a corrupçãoé uma instituição enraizada em nossa sociedade e, por isso, de tão difícil erradicação.

Biografia do Autor

Herton Castiglioni Lopes

Doutor em Economia. Professor Adjunto da UFFS

Referências

CENTRO DE REFERÊNCIA DO INTERESSE PÚBLICO. Relatório do projeto cor-rupção, democracia e interesse público.

Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2010.

CONCEIÇÃO. O.A.C. A contribuição das abordagens institucionalistas para a consti-tuição de uma teoria econômica das

instituições. Ensaios FEE, Porto Alegre, v. 23, n. 1, p. 77-106 2002.

____________. Além da Transação: Uma Comparação do Pensamento dos Instituciona-listas com os Evolucionários e

Pós-Keynesianos. Revista Anpec, 2007. Disponível em http://www.anpec.org.br/revista/vol8/vol8n3p621_642.pdf. Acesso

/ de março de 2012.

DEWEY, J. (1922). Human Nature and Conduct: an introduction to social psycholo-gy. New York: Henry Holt and Company.

FAORO, R. Os Donos do Poder: formação do patronato político brasileiro. 3ª ed. São Paulo: Globo, 2001.

FIESPE. Relatório Corrupção: custos econômicos e propostas de combate. Fiespe, 2012. Disponível em http://www.fiesp.

com.br/competitividade/downloads/custo%20economico%20da%20corrupcao%20-%20final.pdf. Acesso 20 de Março

de 2012.

FRAGOSO, J; BICALHO, M. F.; GOUVEA, M.F. O antigo regime dos trópicos: a dinâmica imperial portuguesa. Rio de

Janeiro: Civilização brasileira, 2001.

FREIRE, G. Casa Grande & Senzala. 34º ed. Rio de janeiro: Record, 1998.

HODGSON. G. M. From micro to macro: the concept of emergence and the role of in-stitutions. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL

INSTITUIÇÕES E DESEN-VOLVIMENTO ECONÔMICO: UMA PERSPECTIVA COMPARATIVA

SO-BRE A REFORMA DO ESTADO, 1997, Rio de Janeiro. Anais do Seminário Internacional Instituições e Desenvolvimento

Econômico: uma perspectiva comparativa sobre a reforma do estado. Rio de Janeiro: UFRJ, 1997.

_____. The hidden persuaders: institutions and individuals in economic theory. Cam-bridge Journal of Economics, Oxford,

v. 27, n. 2, p. 159-75, mar. 2002.

______. Downward causation - some second thoughts. Watford (UK), 2011. Disponí-vel em: <http://www.geoffrey-hodgson.

info/downward-causation.htm>. Acesso em: 26 ago. 2011.

_____. Choice, Habit and Evolution. Journal of Evolutionary Economics. 20(1), Jan-uary 2010, p. 1-18

______. Institucional economics: surveying the “old” and the “new”. Metroeconomica, Oxford [s. l.], v. 44, n. 1, p. 1-28,

HODGSON, G.M. Institutions and individuals: interaction and evolution. Organization Studies, Thousand Oaks (USA),

v. 28, n. 1, p. 95-116, 2007.

HODGSON, G.M; JIANG, S. La economía de la corrupción y la corrupción de la eco-nomía: una perspectiva institucionalista.

Revista de Economía Institucional. Vol. 10, nº 18, primeiro semestre de 2008, p. 55-80

HOLANDA. S. B. Raízes do Brasil. 26ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Rio de Janeiro, 2012. Disponí-vel em: <https://www3.bcb.gov.br/

sgspub/localizarseries/localizarSeries.do? me-thod=prepararTelaLocalizarSeries>. Acesso em: 10 de Março de 2011.

NOGUERÓL. L. P. Instituições da América Portuguesa: uma herança maldita? Texto para discussão. Disponível em

www.ufrgs.br/ppge. Acesso em 10 de Fevereiro de 2008.

OSER, J. Prefácio da classe ociosa. In: VEBLEN, T. B. A teoria da classe ociosa: um estudo econômico das instituições.

São Paulo: Abril Cultural, 1983.

TRANSPARENCY INTERNATIONAL. Corruption Perceptions Index (CPI). Dis-ponível em http://www.transparency.

org/policy_research/surveys_indices/cpi. Acesso 15 de Março de 2012.

VEBLEN, T. B. A teoria da classe ociosa: um estudo econômico das instituições. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

__________(1919). The place of science in modern civilization and other essays. New York : Huebsch.

VEJA. O tamanho do rombo nos cofres públicos: R$ 5.850.000.000,00. Disponível em http://www.terra.com.br/noticias/

infograficos/ranking-corrupcao/ranking-corrupcao-0. Acesso em 05 de Março de 2012.

WEBER, M. Coleção Grandes Cientistas Sociais. Coor. Florestan Fernandes. 7ª ed. Editora Ática, 2005

Downloads

Publicado

2015-12-22