EDIÇÃO DA REVISTA IDÉIAS EM HOMENAGEM A MARIELLE FRANCO RECEBE ARTIGOS ATÉ O DIA 29 DE SETEMBRO!

A escrita acadêmica é instituto componente das relações de poder, sendo uma construção e um produto da modernidade. Do mesmo modo, é uma relação estabelecida entre sexos sendo a racialização/capitalização das relações sociais também parte de sua construção. Nesse contexto, essa escrita é constituída como uma pretensão de expressão racional e objetiva do saber, uma forma de referendar a produção de um conhecimento pretensamente "objetivo", remontando uma verdade universal.

Essa, ao mesmo tempo em que presume a si neutra, branca, se coloca violentamente enquanto único instrumento de interpretação à pluralidade, contextos e diálogos apresentados.

O perigo de tal tipo de discurso é justamente o apagamento ostensivo das protagonistas sociais desses contextos, postas em detrimento na possibilidade de contar a própria história, relegadas a serem objetos de estudo, o/a outro/a da qual se fala, aponta, presume. E quando se levanta a falar, dizer que não é bem assim, mata.

Há 4 meses da tentativa violenta de calar Marielle, mulher negra, LGBT e periférica, mãe. Uma das que ousou, a título de muita resistência e em espaços enviezados pela branquitude, classismo e conservadorismo, fazer ecoar os projetos, direitos e narrativas das suas e dos seus, maioria cujo silêncio se impõe. Marielle traz em si a perspectiva contra hegemonica que tem cor, tem corte, a história do seu lugar e se faz presente.

A vigésima edição da Revista Ideias homenageia Marielle Franco e convida os contextos que trazem desconforto a ocuparem-na - direto de onde incomoda mais.

Nossas narrativas são produção de conhecimento. Nós, que já chegamos, ocupemos a academia também.

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