O Dom entre interesse e "desinteressamento"

Autores

  • Alain Caillé Universidade de Nanterre, Paris X (França), SOPHIAPOL (Laboratoire de Sociologie, Philosophie et Anthropologie Politiques

Resumo

Marcel Mauss defendeu vigorosamente o renascimento daquilo que ele chama o “dom nobre”, mediante a retomada da generosidade e do “desinteressamento”. Mas, em seu íntimo, ele pensava nas instituições públicas, semipúblicas ou privadas, municipalidades, empresas, associações mutualistas, sindicatos, etc. como sendo objetos de regeneração pelo ressurgimento do dom. Ora, limitando o debate a este enfoque, esquece-se que o dom secundário só sobrevive porque se desdobra sobre a base de um sistema que se pode denominar dom primário, que é o dom que sela a aliança entre as pessoas, o dom que rege a esfera daquilo a que eu chamei sociabilidade primária, esta esfera da existência social na qual as relações entre as pessoas se adiantam sobre as relações entre as funções, estruturando, principalmente, os domínios da família, da amizade a da vizinhança.

Biografia do Autor

Alain Caillé, Universidade de Nanterre, Paris X (França), SOPHIAPOL (Laboratoire de Sociologie, Philosophie et Anthropologie Politiques

O autor é sociólogo, sendo professor na Universidade de Nanterre, Paris X (França), onde dirige o SOPHIAPOL (Laboratoire de Sociologie, Philosophie et Anthropologie Politiques); é fundador e editor da Revue du M.A.U.S.S. (Movimento Anti-Utilitarista nas Ciências Sociais) e autor de inúmeros livros e artigos sobre dádiva e democracia divulgados em diversas línguas.

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O Dom e a Racionalidade Teórica