O conflito entre a expansão urbana e o uso da água subterrânea

Jefferson Nascimento de Oliveira, João Miguel Merces Bega, Arthur Bucciarelli Andreetta, Eduarda Noriko Tokuda

Abstract


A matriz aquática subterrânea representa cerca de 70% da captação para suprir o sistema de abastecimento de água no município de São José do Rio Preto. Salienta-se que estudos realizados em 2002 mostraram uma taxa de decaimento da superfície potenciométrica do aquífero Bauru igual a 0,15 m/ano. Para 2012, esse valor passou a ser de 0,47 m/ano. Reflexos desta piora nos níveis freáticos estão relacionados com o crescimento da malha urbana, ligado ao aumento da explotação, e às mudanças climáticas verificadas ao longo dos últimos anos. Diante do exposto, este trabalho objetivou avaliar o cenário atual quanto aos processos de urbanização e a mudança no regime pluviométrico, de forma a elucidar algumas indagações no que se refere aos sistemas aquíferos da cidade. Para tanto, a área urbana foi quantificada e os poços foram inseridos no software ArcGis 10, com informações retiradas da base de dados do SIAGAS. Encontrou-se um elevado crescimento periférico, onde se optou por trabalhar com a região que apresentou a maior expansão. Da comparação entre os anos de 2002 e 2019, a área urbana do município teve um aumento de 76%, sendo que, na região periférica estudada, foi observado um acréscimo de 697%. No ano de 2014, as precipitações atingiram níveis muito baixos, confrontando com os anos anteriores, em detrimento da crise hídrica. Além do mais, as alturas pluviométricas vêm diminuindo ao longo dos anos. Por fim, o número de outorgas de poços vem aumento, enquanto a disponibilidade hídrica tem diminuído. Assim, o sistema que já se encontra carente pode entrar em colapso em um futuro muito próximo, comprometendo a oferta de água em São José do Rio Preto.


Keywords


UGRHI 15; Aquífero freático; Série temporal

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DOI: https://doi.org/10.29150/jhrs.v9.6.p373-386

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Journal of Hyperspectral Remote Sensing - eISSN: 2237-2202