Capitalismo e roteiro de gozo: o sujeito diante da dessimbolização

Martha Lucia Azevedo Pimenteira

Resumo


Neste artigo discutem-se vínculos entre o discurso capitalista, neoliberal, que busca, pelo consumo, um mais além do prazer, e o processo de subjetivação. Objetiva-se mostrar como a emergência no social de órfãos do simbólico, os ditos neossujeitos, revela os efeitos psíquicos da desregulamentação do gozo e situa o inconsciente na cultura em mutação. Destaca-se, especialmente, por que o declínio do Outro, gerado pelo capitalismo, impõe obstáculos à estruturação do sujeito. O argumento organiza-se por meio de uma análise articulatória de quatro pontos: o sujeito dividido é determinado pelo significante; o capitalismo neoliberal incita ao gozo, negando a castração; o sujeito não surge espontaneamente; e no contexto neoliberal, o sujeito confronta-se com a ameaça de um processo de dessimbolização, pela retirada do lugar do terceiro, da alteridade. Conclui-se, portanto, que, diante desse estado atual de coisas, surge uma crise de representância fálica em uma cultura que deixa de funcionar como estrutura-estruturante.


Palavras-chave


Psicanálise; Freud; Lacan

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