Efeito do Gradiente de Luminosidade sobre Respostas Estruturais de Hyeronima alchorneoides (Phyllanthaceae) em Ambiente Florestal (Effect of the Luminosity Gradient on Structural Responses of Hyeronima alchorneoides (Phyllanthaceae) on Forest Environment)

Raissa Iana Leite Jardim, João Carlos Ferreira Melo Júnior, Maiara Matilde Silva

Resumo


A luz é um dos recursos mais importantes para a estrutura e funcionamento da comunidade vegetal. Espécies florestais exigentes em luz passam o período inicial da vida no subosque, onde a luz é um recurso escasso. Assim espera-se que ocorram variações estruturais nas características morfoanatômicas foliares entre os estágios de desenvolvimento de tais espécies. O presente estudo avaliou as respostas estruturais durante os estágios de desenvolvimento nas folhas de Hyeronima alchorneoides em Floresta Ombrófila Densa (FOD), em Santa Catarina. Os estratos florestais foram classificados seguindo a estratificação natural da FOD, sendo: estrato 1 (subosque); estrato 2 (intermediário); e estrato 3 (dossel). Cinco indivíduos de cada estrato florestal foram selecionados, dos quais foram avaliados: massa seca e fresca, conteúdo de água, área e área específica foliar, comprimento e largura da lâmina, comprimento do pecíolo, densidade de tricomas e de estômatos, e espessura dos tecidos da lâmina foliar. As características morfológicas apresentaram maior variação do que as características anatômicas. Os indivíduos do subosque apresentaram maior lâmina foliar, para maximizar a superfície receptora de luz, enquanto os indivíduos de dossel apresentaram maior espessura de parênquima paliçádico para o aproveitamento da luz direta, menor área foliar e maior densidade estomática, evitando a perda de água. Os indivíduos do estrato intermediário apresentaram características mais semelhantes aos indivíduos do subosque, evidenciando que a intensidade luminosa neste estrato ainda é baixa para esta espécie. As diferentes estratégias representam a aclimatação à luz de H. alchorenoides e evidenciam a capacidade de explorar diferentes ambientes até atingir o estágio adulto.

 

 

A B S T R A C T

 (Structural responses of Hyeronima alchorneoides (Phyllanthaceae) to the Light Intensity in Forest Environment) The light is one of the most important resources to the structure and operation of the vegetal community. Forestry species, which demand light, spend all the beginning of life on the understory where the light is a scarce resource. Therefore, it is expected to happen a structural variation in the characteristics of the morphoanatomy foliar among the stages of development of such species. The present research evaluated the structural answers during the development stages on the leaves of Hyeronima alchorneoides in dense ombrophylous forest (FOD), in Santa Catarina. The forest stratum were classified according to the natural forest stratification, being: stratum one (understory); stratum two (intermediate); and stratum three (canopy). Were selected five individuals of each forest strata, which were evaluated: dry and fresh bulk, water content, area and specific foliar area, length and spread from the lamina, length of the petiole, trichomes and stomata density, and width of leaf tissue. The morphological characteristics show bigger variation than the anatomical characteristics. The individuals from the understory show a bigger leaf lamina to maximize the surface that receives light, while the individuals from dossel show bigger palisade parenchyma thickness to the use of direct light, smaller foliar area and high stomatal density, that regulate water loss. Individuals from the intermediate strata shows that the characteristics are more similar to the individuals from the understory, putting in evidence that the light intensity on this stratum is still lower to this specie. The different strategies represent the acclimatization to the H’s light. H. alchorneoides show the ability to explore different environments until it reach the adult stage.

Key-words: licurana, light radiation, physical environment, rain forest, structural plasticity



Palavras-chave


Ambiente físico; floresta atlântica; radiação luminosa; plasticidade estrutural; licurana

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DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v11.3.p913-923

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