Conflitos de uso e ocupação do solo nas áreas de preservação permanente do Município de Inconfidentes – MG (Conflicts of use and occupation of the soil in the areas of permanent preservation of the city of Inconfidentes - MG)
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v11.07.p2244-2259Palavras-chave:
uso conflitante, rede de drenagem, topo de morro, declividade, reabilitação ambientalResumo
Os efeitos adversos do processo de urbanização acelerado e sem planejamento, dentre eles a ocupação irregular e o uso indevido das áreas de preservação permanente, tem ocasionado sérios problemas de ordem ambiental, uma vez que essas possuem papel fundamental no equilíbrio ecológico e na manutenção e regularização dos recursos hídricos. A caracterização dessas áreas e a identificação dos pontos críticos tornam-se fatores-chave para se propor medidas voltadas à recuperação e monitoramento. Nesse sentido, este trabalho teve como objetivo avaliar os conflitos de uso e ocupação do solo nas áreas de preservação permanente do município de Inconfidentes-MG. O levantamento foi feito em campo e através do software ArcGIS 9.3, utilizando a carta topográfica dos municípios de Ouro Fino - MG e Borda da Mata - MG de 1972 e as imagens do Google Earth Pro em alta resolução, adquirida em 2013. Os dados referentes à declividade e curvas de nível foram extraídos a partir da imagem SRTM (folha SF-23-Y-B) adquirida no banco de dados da Embrapa em 2013. Os usos conflitantes nas APPs foram determinados pela exclusão da vegetação nativa, evidenciando outras três classes (solo exposto, culturas diversas e pastagens). Os mapas finais foram elaborados a partir do campo Layout View do ArcGIS 9.3.Os resultados indicaram que os usos conflitantes do solo representam 80,15% das áreas de preservação permanente do município, com predominância de pastagens (72,7%), culturas diversas (15,76%) e solo exposto (12,04%). A vegetação nativa corresponde a apenas 19,85% da área. Diante deste cenário, emerge a necessidade de medidas urgentes para recuperação dessas áreas, visando o cumprimento da legislação e a preservação das APPs, fundamentais para conservação da biodiversidade e da qualidade de vida da população.
A B S T R A C T
The adverse effects of accelerated and non-planed urbanization process, among them the illegal occupation and misuse of the areas of permanent preservation, has caused serious problems of environmental order, since these areas play a fundamental role in the ecological balance and the maintenance and regulation of water resources. The characterization of these areas and the identification of critical points become key factors to propose measures aimed at recovering and monitoring. Therefore, the present study had as objective to assess the conflicts of land use and occupation in the areas of permanent preservation in Inconfidentes County – MG. The survey was conducted in the field and with the software ArcGIS 9.3, using 1972's topographic maps of the counties of Ouro Fino-MG and Borda da Mata-MG and high-resolution images from Google Earth Pro acquired in 2013. Declivity and level curves related data were extracted from a SRTM image (SF-23-Y-B) acquired in Embrapa's database in 2013. The conflicting uses of the permanent preservation areas were determined by the exclusion of native vegetation, evidencing other three classes (exposed soil, different cultures and pastures). The final maps was drawn with the ArcGIS 9.3 feature Layout View. The results indicated that the soil conflicting uses represent 80.15% of the permanent preservation areas of the city, with a predominance of pastures (72.7%), different cultures (15.76%) and exposed soil (12.04%). The native vegetation corresponds to only 19.85% of the area. Given this scenario, emerges the need of urgent measures in order to comply with legislation and preservation requirements and to recovery these areas, crucial for biodiversity conservation and population quality of life.
Keywords: conflicting use, drainage network, hilltop, declivity, environmental rehabilitation
Downloads
Referências
BRASIL, 2001. Lei nº 10.257, de 10 de julho.
BRASIL, 2012. Lei nº. 12.651, de 25 de maio.
Bertoni, J.; Lombardi Neto, F., 1999. Conservação do solo. Ícone, São Paulo.
Boin, M. N., 2005. Áreas de Preservação Permanente: Uma visão prática. In: Centro de Apoio Operacional de Urbanismo e Meio Ambiente. (Org.). Manual Prático da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente. 1 ed. Impressa Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo, pp. 849-861.
Costa, T. C. C.; Souza, M. G.; Brites, R. S., 1996. Delimitação e caracterização de áreas de preservação permanente, por meio de um sistema de informações geográficas. In VIII Simpósio Brasileiro De Sensoriamento Remoto. Anais... Salvador: INPE.
Dusi, L., 2007. Conflitos de uso do solo na gestão de Bacias Hidrográficas – Bh Urubici. Dissertação (Mestrado). Florianópolis, Universidade Federal de Santa Catarina.
Guerra, G. L.; Costa, D. P. da; Silva, V. V. da; Ferreira, A. M. M. Identificação dos padrões de uso e cobertura do solo através da aplicação de geotecnologias: o caso do Parque Estadual das Várzeas do rio Ivinhema-MS. In: VI Congresso Brasileiro de Geógrafos. Caderno de Resumos do VI Congresso Brasileiro de Geógrafos. São Paulo: ABG - Associação dos Geógrafos Brasileiros.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2007. Manual técnico de pedologia, 2 ed. IBGE, Rio de Janeiro (Série Manuais Técnicos em Geociências 4).
Magalhães, C.S.; Ferreira, R.M. 2000. Áreas de preservação permanente em uma microbacia. Informe Agropecuário, Belo Horizonte.
Nascimento, M. C. do; Soares, V. P.; Ribeiro, C. A. A. S.; Silva, E., 2005. Delimitação automática de Áreas de Preservação Permanente (APP) e identificação de conflito de uso da terra na bacia hidrográfica do rio Alegre. In: XII Simpósio Brasileiro De Sensoriamento Remoto. Anais... Goiânia: INPE.
Pinto, L. V. A.; Ferreira, E.; Botelho, S. A.; Davide, A. C., 2005. Caracterização física da bacia hidrográfica do Ribeirão Santa Cruz, Lavras, MG e uso conflitante da terra em suas áreas de preservação permanente. Cerne, v.11, n.1, .49-60.
Rocha, J. S. M., 1997. Manual de projetos ambientais. UFSM, Santa Maria, RS.
Santos, R. D., Lemos, R. C., Santos, H. G., Ker, J. C., Anjos, L. H. C., 2005. Manual de descrição e coleta de solo no campo. 5 ed. SBCS, Viçosa.
Santos, S. B., 2007. Análise do uso e ocupação do solo de áreas de preservação permanente utilizando ferramentas do SIG na gestão de bacias hidrográficas: o caso da bacia hidrográfica do Ribeirão São Lourenço. Dissertação (Mestrado). Itajubá, UNIFEI.
Sato, S. E.; Cunha, C. M. L., 2013. Carta de unidades geoambientais do município de Itanhaém, São Paulo, Brasil. RGCI, Lisboa, v. 13, n. 3, 329-342.
Silva, D. A. N., Silva, M. L., Leonardi, F. A., 2015. Geoprocessamento aplicado ao planejamento urbano: proposta preliminar de expansão urbano no Município de Inconfidentes – MG. Revista Brasileira de Geografia Física 8, 1187-1201.
Souza, A. C. C., Silva, M. L., 2016. Geoprocessamento aplicado ao levantamento de solos no Município de Inconfidentes – MG. Revista Brasileira de Geografia Física 9, 200-214.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2019 Renata dp Couto, Kassy Jhones Garcia, Márcio Luiz Silva

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam na Revista Brasileira de Geografia Física concordam com os seguintes termos:
Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (exemplo: depositar em repositório institucional ou publicar como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão para disponibilizar seu trabalho online antes ou durante o processo editorial, em redes sociais acadêmicas, repositórios digitais ou servidores de preprints. Após a publicação na Revista Brasileira de Geografia Física, os autores se comprometem a atualizar as versões preprint ou pós-print do autor, nas plataformas onde foram originalmente disponibilizadas, informando o link para a versão final publicada e outras informações relevantes, com o reconhecimento da autoria e da publicação inicial nesta revista.
Qualquer usuário tem direito de:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
Adaptar — remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.






