Análise Ambiental da Bacia de Drenagem do Açude Mucutú/PB Utilizando Sensoriamento Remoto

José Antônio Vilar Pereira, Janaína Barbosa da Silva, Simone Mirtes Araújo Duarte

Resumo


O Brasil tem abundancia em recursos hídricos, mas a distribuição desses recursos é irregular. Na região Nordeste a situação se agrava em decorrência dos longos períodos de estiagem. No entanto, as consequências desse fenômeno podem ser minimizadas com a utilização de tecnologias adequadas, como a construção dos reservatórios artificiais. Apesar da importância desses reservatórios, ao longo do tempo eles vêm sofrendo com o processo de poluição das suas bacias de drenagem e ocupação desordenada de suas margens. Esse trabalho objetivou determinar as características fisiográficas da bacia do açude Mucutú; analisar o uso e ocupação da terra no espaço-tempo de 10 anos; e delimitar a Área de Preservação Permanente (APP) desse reservatório. A delimitação e caracterização da bacia foi obtida através de imagens SRTM e a análise temporal do uso e ocupação da terra foi realizada através da interpretação de imagens Landsat do dia 07/03/2005 e 25/07/2015, a imagem mais recente também foi utilizada para fazer a delimitação da APP do reservatório. Identificou-se que as altitudes da bacia variam de 519m a 841m e a declividade encontrada ficou entre 0% a 46%. Constatou-se que para 2005, 77,88% do território da Bacia estava recoberto por algum tipo de vegetação, enquanto que para 2015 esse valor diminuiu para 68,52%, e a classe Solo Exposto/Área Urbana que em 2005 representava 80,38km² passou a ocupar 126,51km² da área total da bacia em 2015. Identificou-se que a APP ocupa uma área de 4,55km² com a presença de atividades antrópicas conflitantes com a legislação brasileira vigente.

Palavras-chave


Caatinga; Bacia hidrográfica; Área de Preservação Permanente; Hipsometria; Declividade.

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