Análise Temporal da Dinâmica de Aspectos Físicos Fluviais no Rio Abobral-Pantanal-MS-BR

Cesar Cardoso Ferreira, Paulo César Rocha, Arnaldo Yoso Sakamoto, Heloissa Gabriela Silva Sokolowski

Resumo


O conhecimento de características geomorfológicas fluviais é de suma relevância para estudos voltados aos recursos hídricos, tanto do ponto de vista da hidráulica, da sedimentologia, como também do ponto de vista do planejamento regional. Nesse sentido, este artigo tem como objetivo individualizar e analisar sazonalmente a dinâmica fluvial do rio Abobral no Pantanal-MS situado na bacia do Alto Paraguai, compreendendo uma área composta por extensa superfície de acumulação sujeita a inundações periódicas. Para alcançar o objetivo supracitado, foram executados procedimentos divididos em quatro etapas: coleta de amostras; individualização morfológica, sedimentológica e hidráulica; processamento dos dados cartográficos e estabelecer correlações entre as variáveis físico-fluviais. Deste modo, observou-se que tipicamente o trecho do rio estudado, é caracterizado como meandrante em planície de inundação, com aspectos de sazonalidades de cheias e secas, além disso, no período de inverno, começa a cessar a vazão e o rio Abobral, no qual, configura-se seccionado, com presença de bancos de areias e aspectos de lagos encaixados e alongados na planície.

 

Temporal analysis of the fluvial physical aspects dynamics in the Aboral river-Pantanal-MS-BR

 

A B S T R A C T

The knowledge of fluvial geomorphological characteristics is of great relevance for studies on water resources, both from the point of view of hydraulics and sedimentology, as well as from the point of view of regional planning. In this sense, this article aims to individualize and analyse seasonally the fluvial physical aspects of the Abobral river in the Pantanal-MS located in the Upper Paraguay watershed, an area composed by extensive accumulation surface subject to periodic flooding. In order to achieve the aforementioned objective, the executed procedures divided into four steps: sample collection; morphological, sedimentological and hydraulic individualization; cartographic data processing and the establishment of correlations between the physical-fluvial variables. In this way, it was observed that typically the river section studied typically characterized as meandering in floodplain, with aspects of seasonality of floods and droughts, in addition, in the winter period, the flow and the Abobral river cease, which, it is sectioned, with the presence of sand banks and aspects of lakes embedded and elongated in the plain.

Keywords: Pantanal, Abobral river, fluvial geomorphology.  


Texto completo:

PDF

Referências


ADÁMOLI, J. O. Pantanal e suas relações fitogeográficas com o Cerrado: discussão sobre o conceito “Complexo do Pantanal”. In: Congresso Nacional de Botânica, 1981, Teresina. Anais - Teresina: Sociedade Botânica do Brasil. 1982.

ALVARENGA, S. M.; BRASIL, A. E.; DEL´ARCO, D. M. Geomorfologia. In. Projeto Radambrasil. Levantamento de recursos naturais. Folha-SF-21 Campo Grande: RJ. 1982.

ASSINE, M. L. Sedimentação na bacia do Pantanal Mato-Grosssense, Centro-Oeste do Brasil. 105 f. Tese de Livre-Docência - UNESP, Rio Claro-SP, 2003.

BIGARELLA, J. J.; SUGUIO, K.; BECKER, R. D. Ambiente Fluvial: Ambientes de Sedimentação, sua interpretação e importância. 1ª. ed. Curitiba: Editora da Universidade Federal do Paraná. Associação de Defesa e Educação Ambiental. 1979.

BRIERLEY, G. J.; FRYIRS, K. A. River Styles, a geomorphic approach to catchment characterization: Implications for river rehabilitation in Bega Catchment, NSW, Australia. Environmental Management, volume 25. 2000.

COLE, G. Textbook of limnology. Saint Louis: The C. V. Mosby. 1975.

CHARLTON, R. Fundamentals of fluvial geomorphology. London, Routledge. 2008.

CHRISTOFOLETTI, A. Geomorfologia fluvial. São Paulo: Edgard Blucher. 1981.

CUNHA, S. B. Morfologia dos canais urbanos nos trópicos úmidos: a experiência no Brasil. Anais - VI Seminário Latino-Americano de Geografia Física, II Seminário Ibero-Americano de Geografia Física Universidade de Coimbra. 2010.

FLORENZANO, T. G. Imagens de satélite para estudos ambientais. São Paulo. Oficina de textos. 2002.

GODOY FILHO, J. D., Aspectos Geológicos do Pantanal Mato-grossense e sua Área de Influência. In: Anais - Simpósio Sobre Recursos Naturais e Sócio-Econômico do Pantanal, Corumbá – MS. EMBRAPA/CPAP. 1986.

GUERRA, A. T.; GUERRA, A. J. T. Novo dicionário geológico-geomorfológico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 3.ed., 2003.

HOOKE, J. M. Processes of channel planform change on meandering channels in the UK. In Changing River Channels, Gurnell A, Petts GE (eds). Wiley: Chichester; 87–116. 1995.

HOOKE, J. M. YORKE, L. Channel bar dynamics on multi-decadal timescales in an active meandering river. Earth Surf. Process. Landforms, Vol. 36 1910–1928. 2011.

ISHII, I. H. Contribuição ao estado do ciclo do carbono na Represa de três marias, MG. Dissertação de Mestrado - Departamento de Ciências Biológicas da UFSCar. 1987.

JORGE, F. N; UEHARA, F. N. Águas superficiais. In OLIVEIRA A. M. S; BRITO, S.N. A. (Org.). Geologia de Engenharia. São Paulo: ABGE. 1998.

LOUREIRO, R. L. et al. Vegetação. As regiões fitoecológicas, sua natureza e seus recursos econômicos. Folha SE-21- Corumbá e Folha SE-20, Rio de Janeiro. 1982.

MARGALEF, R. Limnologia. Editora Omega, Barcelona. 1983.

MARÇAL A. S. Composição, estrutura e fatores determinantes da ictiofauna de um reservatório neotropical: Cachoeira Dourado, Goiás – Minas Gerais Brasil. Tese de Doutorado - Ufscar. 2009.

NOERNBERG M. A. Relação entre profundidade Secchi e fator de reflectância da água de ambientes aquáticos lênticos em Cachoeira Paulista, SP. Anais - VIII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. Salvador. INPE. 1996.

NOVO, E. M. L. M. Sensoriamento Remoto: princípios e aplicações. São Paulo: Edgard Blucher, 2008.

RAVAGLIA, A. G.; SANTOS, S. A.; PELLEGRIN, L. A.; RODELA, L. G.; BARBOSA, A. de J. Classificação preliminar das paisagens da sub-região do Abobral, Pantanal, usando imagens de satélite. Corumbá: Embrapa Pantanal, 2010.

REID, I. et al. Sediment Erosion, Transport and Deposition. In: THORNE, C. R.; HEY, R. D.; NEWSON, M. D. Applied Fluvial Geomorphology for River Engineering and Management. New York: John Wiley & Sons, 1997.

ROCHA C. P. Sistemas rio-planície de inundação: geomorfologia e conectividade hidrodinâmica. Caderno Prudentino de Geografia, Presidente Prudente, n. 33, v.1, 2011.

ROCHA. C. P. Geometria hidráulica e transporte de sedimentos em canais do sistema fluvial do alto rio Paraná, centro-sul do Brasil. Geosul, Florianópolis, n. 61 v. 31, 2016.

PALHARES J. C. P; RAMOS C. K. J. B. LIMA J. M. M. MULLER S. CESTORATO T. Medição da Vazão em Rios pelo Método do Flutuador. Comunicado Técnico. Versão Eletrônica Julho, Concórdia, SC. 2007.

POMPÊO, M. L. M. O disco de Secchi. Bioikos, 1999.

PONÇANO, W. L. Sobre a interpretação ambiental de parâmetros estatísticos granulométricos: exemplos de sedimentos quaternários da costa brasileira. Revista Brasileira de Geociências, 1986.

SANTOS O. A. D. CARDOSO C. F. PEIXOTO C. J. Avaliação da qualidade da água através do índice de comunidade fitoplanctônica (icf) e variáveis físicoquímicas do lago da tirolesa, Teresópolis de Goiás, Goiás. Anhanguera Educacional S.A. Faculdade Anhanguera de Anápolis. Vol. X. 2010.

SAKAMOTO, A. Y.; QUEIROZ NETO, J. P. de; FERNANDES, E.; LUCATTI, H. M. Topografia de lagoas salinas e seus entorno no Pantanal da Nhecolândia/MS. In: Anais - II Simpósio Sobre Recursos Naturais e Sócio - Econômicos do Pantanal: Manejo e Conservação. EMBRAPA/CPAP-UFMS: Corumbá, 1996.

SILVA, J. S. V. e ABDON, M. M. Delimitação do Pantanal Brasileiro e suas sub-regiões. Pesquisa Agropecuária Brasileira. 1998.

SILVA, M. H. S, Subsídios para a compreensão dos processos pedogenéticos da lagoa Salitrada: Pantanal da Nhecolândia, MS. Dissertação de Mestrado, UFMS/CPAQ, Aquidauana. 2007.

SUMMERFIELD, M. A. Global Geomorphology. New York: Longman Scientific & Technical. 1991.

SCHUMM, S. A. Sinuosity of alluvial rivers on the great plains. Geological Society of America Bulletin. v. 74, n. 9, p. 1089-1100, 1963.

STEVAUX, J. C.; LATRUBESSE, E. M. Geomorfologia fluvial. São Paulo: Oficina de textos. 2017.




DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v12.7.p2672-2684

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

      

Revista Brasileira de Geografia Física - ISSN: 1984-2295

Creative Commons License
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License