Análise da Expansão Antrópica na Região Oeste do Município de Resende – RJ, em Relação ao Parque Nacional do Itatiaia

Camila Mendes dos Santos, Cláudio Lindenberg de Freitas, Igor Crabi de Freitas, Ismael Aparecido da Silva, Nivea Adriana Dias Pons, Daniela Riondet- Costa

Resumo


O Parque Nacional do Itatiaia (PNI) é uma Unidade de Conservação de proteção integral, que tem por objetivo preservar ambientes aquáticos e terrestres da região da mata atlântica em virtude de sua beleza e raridade. A conservação do PNI depende diretamente das áreas ao redor e o uso irregular destas áreas circunvizinhas impacta negativamente nos processos ecológicos do parque. Observando essa problemática o presente estudo visa analisar a expansão antrópica na região oeste do município de Resende – RJ, em relação ao PNI. Realizaram-se pesquisas bibliográfica e documental sobre o Plano Diretor (PD) do município de Resende e o Plano de Manejo (PM) do PNI. Através de processos de geoprocessamento com base na legislação vigente, analisou-se documentos cartográficos processados a partir da vetorização de shapefiles no Arcgis 10.2 e análise temporal nos anos de 2003, 2013 e 2017 dos dados disponíveis no Google Earth. Os resultados demonstram diminuição das pastagens e aumento do número de edificações ao longo dos anos de estudo. O PM do PNI e o PD de Resende consideram o entorno do parque como uma região sujeita a restrições de atividades humanas, com o intuito de minimizar os impactos negativos ao parque. Contudo, por falta de integração entre os planos alguns pontos se tornam divergentes, muito em decorrência do PD não levar em consideração a zona de amortecimento (ZA) do PNI. Conclui-se o controle da ação antrópica na região é fundamental para garantia e preservação do PNI no município de Resende, a fim de promover um desenvolvimento sustentável.

 

Analysis of the anthropic expansion in the western region of the municipality of Resende - RJ, in relation to the Itatiaia National Park

 

The National Park of Itatiaia (PNI) is a Conservation Unit of integral protection, whose objective is to preserve aquatic and terrestrial environments of the region of the Atlantic forest due to its beauty and rarity. The conservation of the PNI depends directly on the surrounding areas and the irregular use of the surrounding areas has a negative impact on the ecological processes of the park. Observing this problem, the present study aims to analyze the anthropic expansion in the western region of the city of Resende - RJ, in relation to the PNI. Bibliographical and documentary research on the Master Plan (PD) of the municipality of Resende and the Management Plan (PM) of the PNI were carried out. Through geoprocessing processes based on the current legislation, we analyzed cartographic documents processed from the vectorization of shapefiles in Arcgis 10.2 and temporal analysis in the years 2003, 2013 and 2017 of the data available in Google Earth. The results demonstrate a reduction of pastures and an increase in the number and buildings throughout the study years. The PM of the PNI and the PD of Resende consider the surroundings of the park as a region subject to restrictions of human activities, in order to minimize the negative impacts to the park. However, due to lack of integration between the plans some points become divergent, much as the PD does not take into account the buffer zone (ZA) of the PNI. The control of the anthropic action in the region is fundamental to guarantee and preserve the PNI in the municipality of Resende, in order to promote a sustainable development.


 

Keywords: Expansion; Geoprocessing; Protection Area.

Palavras-chave


Expansão; Geoprocessamento; Área de Proteção.

Texto completo:

PDF

Referências


Barbosa, S. G. et al. 2018. Impactos ambientais causados pela abertura de condomínios: um estudo de caso no condomínio vivendas Santa Mônica. Revista Brasileira de Gestão e Engenharia 8, 159-178.

Barreto, C. G., Drummont, J. A. L. 2017. Strategic planning in Brazilian protected areas: uses and adjustments. Journal of Environmental Management, n. 200, 78-87.

Brasil. 1937. Decreto N. 1.713, de 14 de junho de 1937.

Brasil. 2000. Lei da Casa Civil N. 9.985, de 18 de junho de 2000.

Brasil. 2001. Lei da Casa Civil N. 10.257. de 10 de julho de 2001.

Batista, L. S.; Filho, R. R. G.; Silva, M. G. 2019. Ocupação atual da terra na bacia hidrográfica do Rio Poxim no Estado de Sergipe usando imagens do Google Earth. Revista Brasileira de Energias Renováveis 8, 01-11.

Batista, C. L. et al. 2018. Uso do “google earth pro” no mapeamento de voçorocas na àrea urbana de Manaus (AM), Brasil. Revista de Estudos Geoeducacionais 10, 1-12.

Beiroz, H. 2015. Zonas de amortecimento de Unidades de Conservação em ambientes urbanos sob a ótica territorial: reflexões, demandas e desafios. Desenvolvimento e Meio Ambiente, Paraná 35, 275-286.

Dorst, J. 1973. Antes que natureza morra. Trad. Rosa Buongermino. Edgard Blücher, São Paulo.

EMATER – Empresa de Manutenção e Assistência Técnica e Extensão Rural. 2017. Silvicultura econômica. Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento.

Ferraz, D. P. G. B.; Vicens, R. S. 2019. Desempenho do Descritor Máxima Diferença na Classificação de Plantações de Eucalipto no Estado do Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Cartografia 71, 99-121.

Fortes, F. C. A., et al. 2015. Impacto ambiental x ação antrópica: um estudo de caso no Igarapé Grande – Barreirinha em Boa Vista/RR. VI Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental, Porto Alegre, RS.

Fries, D. E., et al. 2010. Interações entre áreas protegidas eseus arredores em pai sagens tropicai s dominadas por humanos . Biol. Conserv 143, 2870 – 2880.

Geldmann, J.L. M., et al. 2015. Chages in protect darea management effectiveness over time: a global analysis. Biol. Conserv. 191, 692-699.

Google. Imagens de satélite de alta resolução. Google Earth. Versão 7.1.5.1557. 2016.

IBDF. Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Floresta. 1982. Plano de Manejo de Parque Nacional do Itatiaia. Brasília: DF.

ICMBIO. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2013. Parque Nacional do Itatiaia. Ministério do Meio Ambiente, Brasília.

ICMBIO. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2018. Parque Nacional do Itatiaia. Ministério do Meio Ambiente, Brasília.

Iwamoto, P. K., Rodrigues, M. G. 2011. Uma proposta de delimitação da zona de amortecimento do Parque Nacional do Itatiaia, Rio de Janeiro, Brasil. Revista Nordestina de Ecoturismo, Aquidabã 4, 5-14.

Jones, K. R, et al. 2018. One-thirdof global protected landisunder intense human pressure. Science 360, 788 - 791.

Laurence, W. F. 2018. Conservationand the Global Infrastructure Tsunami: Disclose, Debate, Delay!. Trends in Ecology & Evolution 33, 568 - 571.

Lima, E. A. C. F., Ranieri, V. E. L. 2018. Land use planningaroundprotectedareas: Case studies in four stateparks in the Atlantic forest region of South eastern Brazil. Land Use Policy, 453 - 458.

Leonel, W., et al. 2017. Relação entre turismo e dinâmica da paisagem em Bonito (MS) na perspectiva do modelo GTP (Geossistema-Território Paisagem). Revista Brasileira de Ecoturismo 10, 411-432.

Marques, F.; Rocha, M. F. 2019. Impactos do uso público em unidades de conservação: produção científica no Rio de Janeiro. Revista Sociedade e Desenvolvimento 3, 2-26.

Mascia, M. B. et al. 2014. Commonalities and complementarities among approaches to conservation monitoring and evaluation. Biol. Conserv 169, 258–267.

Malarvizhi, K. et al. 2016. Use of High Resolution Google Earth Satellite Imagery in Landuse Map Preparation for Urban Related Applications. Procedia Technology 24, 1835–1842.

Nash, R. F. 2014. Wilder ness and the American Mind. New Haven: Yahle University Press, 440.

Novo, E. M. L. M. 2011. Sensoriamento Remoto: Princípios e Aplicações. 4 ed, Edgard Blücher, São Paulo.

Oliveira, L. A.; Santos, J.; Silva, M. E. F. 2017. Uso e Ocupação do Solo em Áreas de Proteção Permanente de Reservatórios Artificiais. Diversitas Journal 3, 363-376.

Panizza, A. D. C., Fonseca, F. P. 2011. Técnicas de Interpretação Visual de Imagens 30 – 43.

Pereira, T. M. S.; Silva, J. A. L.; Moura, D. C. 2018. Fitogeografia e análise integrada da paisagem em afloramentos rochosos no semiárido paraibano. Revista Brasileira de Meio Ambiente 4, 1-15.

Reis, A. F.; Queiroz, O. T. M. M. 2017. Concessões nas Unidades de Conservação do Estado de São Paulo: reflexões, oportunidades e desafios. Revista Brasileira de Ecoturismo (RBEcotur) 10, 376-386.

Resende. Prefeitura Municipal de Resende RJ. 2001. Lei N. 2.326, de 31 de dezembro de 2001.

Resende. Prefeitura Municipal de Resende RJ. 2013. Lei complementar N. 3.000 de 22 de janeiro de 2013.

Ronquim, C. C., et al. 2016. "Carbon sequestrations sociated to the land-use and land-cover changes in the forestry sector in Southern Brazil," Proc. SPIE 9998, Remote Sensing for Agriculture, Ecosystems, and Hydrology XVIII.

Salles, M. C., Grigrio, A. M., Silva, M. R. 2013. Expansão urbana e conflito ambiental: uma descrição da problemática do município de Mossoró, RN – Brasil. Revista Sociedade & Natureza 25, 281-290.

Silva, J. B. 2016. Panorama sobre a vegetação em afloramentos rochosos do Brasil. Oecologia Australis 20, 451-463.

Silva, R. F. B., et al. 2016. Land Changes Fostering Atlantic Forest Transition in Brazil: Evidence from the Paraíba Valley. The Professional Geographer [online]. Disponível: https://doi.org/10.1080/00330124.2016.1178151. Acesso: 01 set. 2019.

Silva, A. C. P. 2013. Zoneamento ecológico econômico (ZEE): arquiteturas políticas locais da administração pública brasileira para as sustentabilidades na gestão dos territórios. Revista Geonorte 7, 1748-1769.

SOS Mata Atlântica. 2015. Desmatamento da Mata Atlântica. [Online]. Disponível em: https://www.sosma.org.br/projeto/atlas-da-mata-atlantica/dados-mais-recentes/. Acesso 27 dez. 2018.

Tramarin, T. C.; Ruaro, R. 2017. Diagnóstico Da Aplicação Do Licenciamento Ambiental Para Empreendimentos De Piscicultura Em Um Município Do Mato Grosso Do Sul. Revista em Agronegócio e Meio Ambiente 10, 1225-1245.

UNEP. United Nations Environment Programme. Protected Planet Report 2014 – Tracking progress towards global targets for protected áreas. 2014. [Online]. Disponível em: http://wdpa.s3.amazonaws.com/WPC2014/protected_planet_report.pdf. Acesso: 12 dez. 2018.

Watson, J. E. M., et al. 2014. The performance and potential of protected areas. Nature 515, 67–73.

Watson, J. E. et al. 2016. Bolder science needed now for protected áreas. Consevation Biology 30, 243-248.

Wekmuller, R., et al. 2013. Análise multitemporal como subsídio à identificação da trajetória evolutiva do uso e cobertura da terra no Corredor Ecológico do Muriqui/RJ. Revista Brasileira de Cartografia 65, 467-477.




DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v13.3.p928-940

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

      

Revista Brasileira de Geografia Física - ISSN: 1984-2295

Creative Commons License
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License