Distribuição espacial dos casos de febre chikungunya na área urbana de Mossoró-RN e sua correlação com a vulnerabilidade socioambiental

Tatiane Aparecida Queiroz, Weslley Misael Bezerra Damasio, Leilane Alice Moura da Silva, Lara Candice Costa de Morais Leonez, Thaiza dos Santos Queiroz, Alfredo Marcelo Grigio, Francisca Patrícia Barreto de Carvalho

Resumo


Historicamente o desenvolvimento urbano e econômico vivenciado no Brasil tem favorecido a proliferação do Aedes Aegypti, mosquito causador da febre chikungunya.  Assim, este estudo objetiva descrever e analisar a distribuição espacial dos casos de febre chikungunya, na área urbana de Mossoró-RN, buscando as possíveis correlações entre a vulnerabilidade socioambiental da população e a incidência da doença. Foi desenvolvido em duas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) do município de Mossoró-RN, Brasil, a partir da obtenção dos endereços dos indivíduos identificados como caso de febre chikungunya atendidos no período de 2015 a 2017 e da realização de visitas in loco nos bairros onde se identificou o maior número de casos da doença. Foram obtidos 2878 endereços dos indivíduos atendidos na UPA Conchecita Ciarlini e 1260 dos atendidos na UPA Raimundo Benjamim Franco. A geocodificação da localização dos endereços foi realizada através do uso do Geocode Cells e para a espacialização das coordenadas geográficas foi utilizado o software livre QGIS 2.18 “Las Palmas”. A espacialização dos casos foi feita a partir da estimativa de densidade Kernel. Observou-se uma maior incidência da febre chikungunya nos bairros Santo Antônio, Barrocas, Bom Jardim, Paredões, Boa Vista, Lagoa do Mato, Alto da Conceição, Belo Horizonte e Aeroporto. O estudo mostrou quais as regiões da cidade necessitam de maiores investimentos em ações de combate a febre chikungunya e identificou que existe maior incidência da doença em bairros vulneráveis e com saneamento precário, demonstrando a necessidade de ações intersetoriais de curto, médio e longo prazo.


Palavras-chave


Febre de chikungunya; Análise espacial; Geocodificação; Doenças Transmissíveis Emergentes; Vulnerabilidade

Referências


Joubert, P; Werneke, S; LaCalle, C; Guivel-Benhassine, F; Giodini, A; Peduto, L et al, 2012. Chikungunya-induced cell dea this limited by ER and oxidativ estress induced autophagy. Autophagy [online] 8. Disponível: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22836517. Acesso 19 fev. 2019.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis, 2017a. Chikungunya: manejo clínico. Brasília.

Azevedo, R.S.S.; Oliveira, C.S.; Vasconcelos, P.F.C., 2015. Risco do chikungunya para o Brasil. Revista de saúde pública [online] 49. Disponível: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-89102015000100509&script=sci_arttext&tlng=pt. Acesso: 15 jan. 2019.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde, 2014. Boletim Epidemiológico. Monitoramento dos casos de dengue e febre de Chikungunya até semana epidemiológica (SE) 47 de 2014. Brasília. Disponível: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2015/janeiro/02/2014-039---Dengue-SE-47.pdf. Acesso: 14 set. 2017.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde, 2016. Boletim Epidemiológico. Monitoramento dos casos de dengue, febre de chikungunya e febre pelo vírus Zika até a Semana Epidemiológica 49, 2016. Brasília. Disponível: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/dezembro/20/2016-033---Dengue-SE49-publicacao.pdf. Acesso: 14 set. 2017.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde, 2017b. Boletim Epidemiológico. Monitoramento dos casos de dengue, febre de chikungunya e febre pelo vírus Zika até a Semana Epidemiológica 50, 2017. Brasília. Disponível: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/janeiro/10/2017-046-Publicacao.pdf. Acesso: 02 jan. 2018.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde, 2018. Boletim Epidemiológico. Monitoramento dos casos de dengue, febre de chikungunya e doença aguda pelo vírus zika até a semana epidemiológica 48 de 2018. Brasília. Disponível: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/dezembro/18/2018-064.pdf. Acesso: 02 jan. 2018.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde, 2020a. Boletim Epidemiológico. Monitoramento dos casos de arboviroses urbanas transmitidas pelo Aedes (dengue, chikungunya e Zika), Semanas Epidemiológicas 01 a 52. Brasília. Disponível em: https://www.saude.gov.br/images/pdf/2020/janeiro/20/Boletim-epidemiologico-SVS-02-1-.pdf. Acesso:15 abr. 2020.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde, 2020b. Boletim Epidemiológico. Monitoramento dos casos de arboviroses urbanas transmitidas pelo Aedes Aegypti (dengue, chikungunya e zika), Semanas Epidemiológicas 1 a 15, 2020. Brasília. Disponível: https://www.saude.gov.br/images/pdf/2020/April/16/Boletim-epidemiologico-SVS-16.pdf. Acesso: 24 abr. 2020.

Governo do Estado do Rio Grande do Norte. Secretaria de Estado da Saúde. Subcoordenadoria de Vigilância Epidemiológica, 2017. Boletim Epidemiológico Arboviroses - Monitoramento dos casos de dengue, febre de chikungunya e febre pelo vírus zika. Natal. Disponível: http://www.adcon.rn.gov.br/ACERVO/sesap/DOC/DOC000000000168573.PDF. Acesso: 02 jan 2018.

Governo do Estado do Rio Grande do Norte. Secretaria de Estado da Saúde. Subcoordenadoria de Vigilância Epidemiológica, 2018. Boletim Epidemiológico Arboviroses - Monitoramento dos casos de dengue, febre de chikungunya e febre pelo vírus zika. Natal. Disponível: http://www.adcon.rn.gov.br/ACERVO/sesap/DOC/DOC000000000190429.PDF. Acesso: 02 jan. 2018.

Oliveira, F.L.B.; Millions, R.M.; Costa, M.V.; Almeida Júnior, J.J; Silva, D.G.K.C., 2016. Estudo comparativo da atuação do enfermeiro no controle de dengue e febre chikungunya. Saúde e sociedade [online] 25. Disponível: http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v25n4/1984-0470-sausoc-25-04-01031.pdf. Acesso: 15 fev 2018.

Donalisio, M.R.; Freitas, A.R.R.; Zuben, A.P.B.V., 2017. Arboviroses emergentes no Brasil: desafios para a clínica e implicações para a saúde pública. Revista de saúde pública [online] 51. Disponível: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-89102017000100606&script=sci_arttext&tlng=pt. Acesso: 5 jan. 2018.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica, 2009. Diretrizes nacionais para prevenção e controle de epidemias de dengue. Brasília.

Minayo, M.C.S., 1988. Saúde-doença: uma concepção popular da etiologia. Cadernos de saúde pública [online] 4. Disponível: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1988000400003. Acesso: 23 fev. 2018.

Matos, R. 2012. Migração e urbanização no Brasil. Geografias [online] 8. Disponível: https://periodicos.ufmg.br/index.php/geografias/article/download/13326/10558/. Acesso: 23 fev. 2018.

Pereima Neto, J.B. XXI: o século das cidades no Brasil. In: Montoro GCF et al (Org.). Um olhar territorial para o desenvolvimento: Sul. Rio de Janeiro: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social; 2014. p. 270-309.

Oliveira, F.N.; Rebouças, P.J.F.G., 2017. Políticas públicas de saúde: aportes para se pensar a trajetória histórica Brasileira. Revista Desafios [online] 4. Disponível: https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/desafios/article/view/3148/9441. Acesso: 21 fev. 2019.

Siqueira, A.C.; Vilaça, F.A.; Frenedozo, R.C., 2018. Concepção dos licenciandos em ciências biológicas sobre a influência dos fatores ambientais no aparecimento do aedes aegypti. REnCiMa [online] 9. Disponível: http://revistapos.cruzeirodosul.edu.br/index.php/rencima/article/view/1369. Acesso: 23 fev. 2019.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2010. Censo Demográfico 2010. Brasília.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2019. Ferramenta Cidades. Rio Grande do Norte: Mossoró. Brasília.

GOOGLE. The Google Geocoding API. Disponível:

https://developers.google.com/maps/documentation/geocoding/faq?hl=pt. Acesso: 24 abr. 2020.

QGIS Development Team, 2016. QGIS Geographic Information System. Open Source Geospatial Foundation. URL http://qgis.org

Silva, A.M.; Silva, R.M.; Almeida, C.A.P.; Chaves, J.J.S., 2015. Modelagem geoestatística dos casos de dengue e da variação termopluviométrica em João Pessoa, Brasil. Sociedade e Natureza [online] 27. Disponível: http://www.seer.ufu.br/index.php/sociedadenatureza/article/view/22526. Acesso: 11 mar. 2019.

Geodose. QGIS Heatmap Using Kernel Density Estimation Explained, 2017. Disponível: https://www.geodose.com/2017/11/qgis-heatmap-using-kernel-density.html. Acesso: 6 mar. 2019.

Oliveira, U.C.; Oliveira, P.S., 2017. Mapas de kernel como subsídio à gestão ambiental: análise dos focos de calor na Bacia Hidrográfica do Rio Acaraú, Ceará, nos anos 2010 a 2015. Espaço Aberto [online] 7. Disponível: https://revistas.ufrj.br/index.php/EspacoAberto/article/viewFile/3473/8626. Acesso: 6 maio. 2019.

Silva, C.S.P., 2017. Vulnerabilidade socioambiental urbana: um estudo da cidade de Mossoró/RN. Dissertação [Mestrado em Ciências Naturais] [online]. Mossoró: Programa de Pós-Graduação em Ciências Naturais, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Disponível: http://www.uern.br/controledepaginas/mestrado-dissertacoes-defendidas/arquivos/2212camila_saiury.pdf. Acesso: 24 out. 2019.

Alves, H.P.F.; Alves, C.D.; Pereira, M.N.; Monteiro, A.M.V., 2010. Dinâmicas de urbanização na hiperperiferia da metrópole de São Paulo: análise dos processos de expansão urbana e das situações de vulnerabilidade socioambiental em escala intraurbana. Revista Brasileira de Estudos de População [online] 27. Disponível: http://www.scielo.br/pdf/rbepop/v27n1/09.pdf. Acesso: 22 out. 2019.

Cabral, L.N.; Cândido, G.A., 2019. Urbanização, vulnerabilidade, resiliência: relações conceituais e compreensões de causa e efeito. Revista Brasileira de Gestão Urbana [online] 11. Disponível: http://www.scielo.br/pdf/urbe/v11/2175-3369-urbe-11-e20180063.pdf. Acesso: 22 out 2019.

Salles, M.C.T.; Grigio, A.M; Silva, M.R.F., 2013. Expansão urbana e conflito ambiental: uma descrição da problemática do município de Mossoró, RN – Brasil. Sociedade e Natureza [online] 25. Disponível: http://www.seer.ufu.br/index.php/sociedadenatureza/article/view/14389/pdf. Acesso: 22 out. 2019.

Pereira, E.D.A., 2018. Análise espacial e temporal dos casos de febre de chikungunya no maranhão, Brasil. Dissertação [Mestrado em Saúde Pública] [online]. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz. Disponível: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/27921. Acesso: 24 out 2019.

César, C.V.S.C.; Clementino, C.F.L.; Malheiro, D.R.; Moreira, I.C.; Araújo Junior, J.L., 2016. Aspectos epidemiológicos da dengue associados ao índice pluviométrico, saneamento básico e drenagem em Juazeiro do Norte. Revista e-ciência [online] 4. Disponível: http://www.revistafjn.com.br/revista/index.php/eciencia/article/view/124. Acesso: 29 out. 2019.

Maia, C.V.A.; Lima, G.S.; Rocha, A.D.S.; Oliveira, E.L.; Silva, M.C.F.; Silva, H.H. et al., 2019. Distribuição espacial de criadouros de aedes aegypti em Jaguaruana – CE – Brasil e suas correlações com indicadores sociodemográficos. Hygeia [online] 15. Disponível: http://www.seer.ufu.br/index.php/hygeia/article/view/46811. Acesso: 29 out. 2019.

Cabedo Junior, F.C.S.; Cunha, K.B.S.; Aguiar, A.L.S.; Araújo, F.D.N., 2018. Saneamento: interferência na saúde pública e no desenvolvimento socioeconômico. Revista da FAESF [online] 2. Disponível em: http://faesfpi.com.br/revista/index.php/faesf/article/view/54. Acesso: 30 out. 2019.

Santos, F.F.S.; Daltro Filho, J.; Machado, C.T.; Vasconcelos, J.F.; Feitosa, F.R.S., 2018. O desenvolvimento do saneamento básico no Brasil e as consequências para a saúde pública. Revista Brasileira de Meio Ambiente [online] 4. Disponível: https://revistabrasileirademeioambiente.com/index.php/RVBMA/article/view/127. Acesso: 30 out. 2019.




DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v13.5.p%25p

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

      

Revista Brasileira de Geografia Física - ISSN: 1984-2295

Creative Commons License
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License