Fenologia da Ouratea hexasperma (A.St.-Hil.) Baill. (Ochnaceae) nos Tabuleiros Costeiros Cearenses

Marina Arruda de Castro, Lucas Farias Pinheiro, Eliseu Marlônio Pereira de Lucena

Resumo


Estudos fenológicos são importantes na estimativa de produção para melhor aproveitamento socioeconômico de uma espécie. A Ouratea hexasperma (A.St.-Hil.) Baill. é utilizada na ornamentação, na recuperação de áreas degradadas e possui grande potencial medicinal. Desse modo, o presente trabalho objetivou caracterizar a fenologia da Ouratea hexasperma (A.St.-Hil.) Baill. nos Tabuleiros Costeiros cearenses. Na área de estudo (Jardim Botânico de São Gonçalo) foram selecionadas 10 plantas de Ouratea hexasperma (A.St.-Hil.) Baill., monitoradas entre os meses de agosto/2015 a julho/2016. Na fenologia anual verificou-se que o desfolhamento ocorreu de setembro/2015 a fevereiro/2016, o enfolhamento ocorreu durante todo o ano, a floração em outubro/2015 e a frutificação de outubro/2015 a março/2016. Na fenologia da floração a frutificação verificou-se que a espécie apresentou inicialmente 1.681 botões florais, sendo necessários 14 dias após a marcação (DAM) para que 9,2% das flores entrassem em antese e 7 dias após a antese (DAA) para ocorrer a fecundação. Os estádios chumbinho (EC), 1 (E1), 2 (E2), 3 (E3), 4 (E4) e 5 (E5) do fruto ocorrem respectivamente aos 14, 28, 42, 56, 84 e 105 DAA. Apenas 43 frutos conseguiram atingir o último estádio (E5). O mericarpo do fruto apresentou medidas 3,39-10,20 x 2,24-5,11 mm. Conclui-se que o ponto de colheita ideal dos frutos da Ouratea hexasperma (A.St.-Hil.) Baill. é no estádio 4 (E4-maduro), com uma estimativa da produção de um fruto por panícula.

Palavras-chave


Batiputá; fenofase; biologia floral; ecofisiologia vegetal; Complexo Vegetacional da Zona Litorânea

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DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v14.2.p%25p

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