Intervenção antrópica desordenada e dinâmica costeira: um conflito autodestrutivo na praia de Morro Branco

Delano Nogueira Amaral, Fábio Perdigão Vasconcelos, João Sílvio Dantas de Morais, Otávio Augusto de Oliveira Lima Barra, Cristiano da Silva Rocha

Resumo


O potencial paisagístico do litoral cearense proporciona uma série de belezas naturais que incentivam o turismo em vários municípios, dentre eles, em Beberibe, encontra-se o seu Monumento Natural das Falésias de Morro Branco, que atraem pessoas do mundo todo para essa praia. Visto essa importância, o objetivo deste trabalho torna-se analisar as formas de uso e ocupação, além de apontar os conflitos entre a dinâmica natural e humana existentes nesta praia tão privilegiada por seu potencial paisagístico. No ponto de vista metodológico, através de estudos de hemeroteca, análises da dinâmica de ondas e de voos de drone, este escrito evidencia os danos que existem entre as intervenções antrópicas e a dinâmica natural da praia de Morro Branco. Os resultados constataram conflitos diversos, que corroboram com as hipóteses do trabalho, que apontam para uma gestão costeira ineficaz, dentre eles: as barracas de praia de fato estão em um espaço irregular, exposta a riscos constantes pelos eventos oceanográficos; a Unidade de Conservação das falésias, criada em 2004, sofre invasões por casas de veraneio; e o potencial paisagístico da praia, que sustenta o turismo, a principal economia local, pode estar comprometido pelas intervenções urbanas. Resguardado na legislação ambiental, o trabalho conclui que há a necessidade de repensar as intervenções antrópicas da Praia de Morro Branco, para garantir não só a dinâmica ambiental, como também o turismo costeiro que é primordial para população local.


Palavras-chave


Morro Branco, Falésias, Fixos Costeiros e Dinämica Ambiental.

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DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v13.07.p%25p

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