Mudanças no uso e cobertura do solo e seus impactos sobre os ecossistemas naturais e serviços ecossistêmicos em Nova Xavantina, Mato Grosso

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26848/rbgf.v19.02.p853-872

Palavras-chave:

Mudanças no uso e cobertura da terra, Serviços ecossistêmicos, Cerrado mato-grossense, Borda sul da Amazônia, Geopolítica mato-grossense, Degradação Ambiental

Resumo

As alterações no uso e cobertura do solo em Mato Grosso, impulsionadas pela intensificação das atividades agropecuárias, têm provocado a degradação progressiva dos ecossistemas naturais, com significativas perdas de biodiversidade. No entanto, pouco ainda se sabe sobre o quanto tais mudanças tem comprometido a provisão de serviços ecossistêmicos essenciais. Nosso objetivo neste estudo foi avaliar a dinâmica de uso e cobertura do solo e seus impactos sobre os ecossistemas naturais e serviços ecossistêmicos no município de Nova Xavantina, localizado no leste do Cerrado mato-grossense, na borda sul da Amazônia. Obtivemos a classificação do uso e cobertura do solo por meio dos dados disponibilizados pelo Projeto MapBiomas para o período de 1985 a 2023. Verificamos uma redução de 33,5% nas áreas de vegetação savânica, 6,42% nas formações florestais e 0,6% nos corpos d’água. Por outro lado, houve aumento nas áreas de agricultura (11,89%) e pastagem (35,97%), que atualmente corresponde a maior classe de ocupação no município, representando 44,5%. Os resultados evidenciam uma transformação profunda da paisagem natural, com perdas expressivas de serviços ecossistêmicos, como armazenamento de carbono e biodiversidade, como consequência das pressões antrópicas e da insuficiência de estratégias de manejo e conservação ambiental no município. O estudo reforça a urgência de políticas públicas que integrem conservação, restauração de áreas degradadas e práticas sustentáveis de manejo no uso do solo, visando equilibrar a produtividade econômica com a preservação ambiental e às demandas socioeconômicas da população local.

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Biografia do Autor

João Victor Amorim, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano - IF Goiano

Mestre (2023) e Doutorando em Ecologia e Conservação pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), especialista em Docência no Ensino Superior (2021) pela Faculdade Dom Alberto e Biólogo licenciado pelo Instituto Federal Goiano (IF Goiano, 2020). Atualmente, servidor público no cargo de técnico de laboratório em Biologia pelo IF Goiano Iporá. Atua na área de Ecologia Vegetal, com ênfase em serviços ecossistêmicos e mapeamento de mudanças no uso e cobertura da terra na Transição Cerrado-Amazônia (TCA).

Claudinei Oliveira dos Santos, Universidade Federal de Goiás

Graduado em Ciências Biológicas (UNEMAT), Mestre em Ecologia e Conservação (UNEMAT), e Doutor em Ciências Ambientais (UFG). Durante sua graduação e mestrado atuou por cinco anos no Laboratório de Ecologia Vegetal (Labev), adquirindo ampla experiência em coletas e análises de dados em campo, integrando e coordenando equipes. No Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), atuou por seis anos na coordenação de coletas em campo, gestão e análises de bases de dados. Por seis anos integrou quadro de pesquisadores do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig), onde coordenou e participou de equipes e projetos de pesquisa, e contribuindo na construção de plataformas de dashboars (e.g. atlasdaspastagens.ufg.br). Tem conhecimento avançado em processamento e análises de dados de sensoriamento remoto (Big Data) utilizando linguagens de programação, como Python, R e Java Script, trabalhando com a linguagem R há doze anos. Durante sua formação como mestre fez estágio na Leeds University (Leeds-UK), e durante posterior atuação profissional participou de curso no Max Planck Institute (Jena - Germany), adquirindo experiência em processamento e análises de dados, processos biofísicos, Ecologia de Ecossistemas, estrutura e dinâmica da vegetação. Atualmente sua pesquisa está voltada a compreender a dinâmica e diversidade dos sistemas de produção adotados nas áreas de pastagens brasileiras, que ocupam 2/3 das áea agropecuárias no pais. Mais especificamente, tem pesquisado e desenvolvido métodos para mapear, classificar e monitorar a qualidade das pastagens a partir da integração de dados de sensoriamento remoto, modelagem ecossistêmicas e informações de disponibilidade de forragem e manejo da pastagem. Por meio de modelos baseados em processos, vem trabalhando nas estimativas de estoques de carbono nas áreas de pastagens brasileiras, e desenvolvendo cenários de manejo que reflitam a condição das pastagens, possibilitando avaliar os potenciais de ganhos em estoques de carbono e produção pecuária. Os avanços e resultados têm sido veiculados e discutidos em congressos científicos nacionais e internacionais

Jairo Matos da Rocha, Universidade Federal de Goiás

graduado em Sistemas Para Internet pelo Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT; 2018). Atualmente sou Analista de desenvolvimento no Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig) Goiânia - GO, trabalhando no mapeamento de pastagem, criando automatização de sistemas. Atuei no Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Canarana-MT, no desenvolvimento da plataforma Climatic Data, do projeto Tanguro, e no projeto Dashboard, no intuito de desenvolver uma plataforma de monitoramento e armazenamento de dados das torres climáticas do projeto Tanguro e, também, foi responsável por desenvolver a plataforma e cuidar da comunicação das torres climática com o servidor de dados, e o planejamento do banco de dados. Tive um período de estágio no IPAM de Brasília-DF, atuando junto a plataforma Carboncal, e Participo do projeto Tanguro na Web, que tem como intuito de desenvolver uma porta web, com notícias e publicação do projeto Tanguro, neste projeto sou webmaster, dando manutenção do servidor do portal, e consultoria para equipe de jornalismo sobre a plataforma Wordpress. Também trabalhei na Universidade de Leeds sob orientação dos professores Dr. David Galbraith e Dr. Emanuel Gloor, onde fiquei responsável por administrar e gerenciar vários projetos de pesquisa na UNEMAT de Nova Xavantina-MT, além de auxiliar os alunos nas análises estatísticas, dando suporte na elaboração de novas pesquisas, e cuidando da parte financeira e administrativa dos projetos. Tenho conhecimento na linguagem de programação Python na plataforma Google Colab e Google Earth Engine, geoprocessamento e análise de dados por meio da linguagem R, experiência em GitHub e arquitetura REST, competência em Web scraping

José Wemerson Soares, Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT

Doutorando e Mestre (2023) em Ecologia e Conservação pela Universidade do Estado de Mato Grosso. Especialista em Docência do Ensino Superior (2022) pela Faculdade Dom Alberto e em Ensino de Ciências pela Universidade Federal do Piauí (2023). Possui graduação em Licenciatura em Ciências Biológicas pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano. Atualmente, desenvolve pesquisas aferindo o impacto das secas nos atributos funcionais das plantas, especialmente em florestas que compõem a borda sul do bioma amazônico. Também realiza pesquisas nas temáticas de ensino de ciências, educação ambiental e inclusão educacional.

Ludimila Rodrigues de Almeida, Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT

Formada em Licenciatura em Ciências Biológicas (2019), pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) Campus de Nova Xavantina. Com experiência na área de Ecologia, com ênfase em Ecologia funcional, fisiologia vegetal, germinação de sementes nativas e valoração de serviços ecossistêmicos. Domínio básico das ferramentas (Qgis, Google engine, ImageJ, Inkscape, Canva e R studio) conhecimentos de pacote Office (Excel, Word e Power Point). Pesquisadora do laboratório de Ecologia Vegetal (2019), atualmente me dedico a pesquisas de Valoração dos Serviços Ecossistêmicos e Dinâmica dos estoques de carbono na Transição Cerrado-Amazônia em Nova Xavantina-MT.

Paulo Sérgio Morandi, Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT

Possuo graduação em Ciências Biológicas (2009), Mestrado em Ecologia e Conservação (2012) e Doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia (2017) pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). Atuo na área da Ecologia Vegetal e Conservação da Biodiversidade e tenho desenvolvido estudos sobre os padrões de estrutura, composição e diversidade de espécies em florestas da Amazônia e formações savânicas do Cerrado, principalmente na transição entre esses dois biomas. Tenho atuado em pesquisas sobre dinâmica das comunidades e sua resposta aos fatores climáticos. Atualmente, tenho iniciado pesquisas sobre serviços ecossistêmicos, com foco na quantificação do carbono armazenado na vegetação e seu valor financeiro. Fui Professor Visitante Especial no curso de Pós-graduação em Ecologia e Conservação (PPGEC) na UNEMAT por quatro anos, atuando como orientador, pesquisador e professor, tanto na graduação, como na pós-graduação. Sou professor permanente e membro do conselho no PPGEC. Na graduação ministrei a disciplina de Morfologia e Sistemática Vegetal e Ecologia de Populações, e na pós-graduação tenho ministrado disciplinas na área de ecologia (Ecologia do Cerrado), na área da estatística (Estatística Aplicada à Ecologia) e Seminários Avançados.

Nayara Cardoso Barros, Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT

Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2019). pós graduada em Educação Ambiental (2020), Mestranda em ecologia e conservação pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2021) Tem experiência na área de Educação, com foco no ensino de Ciências e Educação Ambiental.

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Publicado

2026-05-23

Como Citar

Amorim, J. V., Oliveira dos Santos, C., da Rocha, J. M., Soares, J. W., Rodrigues de Almeida, L., Sérgio Morandi, P., & Cardoso Barros, N. (2026). Mudanças no uso e cobertura do solo e seus impactos sobre os ecossistemas naturais e serviços ecossistêmicos em Nova Xavantina, Mato Grosso. Revista Brasileira De Geografia Física, 19(02), 853–872. https://doi.org/10.26848/rbgf.v19.02.p853-872

Edição

Seção

Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto

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