Uma Manta Filtrante Biomimética para Produzir água Potável Baseada na Estrutura Funcional do Xilema do Umbuzeiro (Spondias tuberosa)
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v19.03.p1787-1800Palavras-chave:
biomimética, filtração por xilema, Spondias tuberosa, purificação da água, região semiárida, captação de água da chuva, soluções baseadas na naturezaResumo
A escassez e a contaminação da água constituem desafios crônicos no Semiárido brasileiro, exigindo soluções de tratamento no ponto de uso que sejam acessíveis e sustentáveis. Este estudo investiga o potencial do tecido de xilema da planta nativa Spondias tuberosa (umbuzeiro) como filtro biomimético para purificação da água. A microestrutura anatômica do xilema foi caracterizada por meio de Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV), revelando uma rede porosa de canais vasculares adequados à filtração. A eficácia do sistema foi avaliada experimentalmente por meio da análise de parâmetros físico-químicos e microbiológicos em amostras de água de chuva e água salobra antes e após a filtração por gravidade. Os resultados demonstraram remoção completa (100% de eficiência) da bactéria indicadora de contaminação fecal Escherichia coli em ambas as fontes hídricas, reduzindo as concentrações iniciais de 4,0 e 8,0 NMP/100 mL para níveis não detectáveis (0,0 NMP/100 mL), atendendo, assim, a um critério essencial de potabilidade. Embora os níveis de coliformes totais tenham permanecido elevados — característica comum em águas superficiais não tratadas —, a eliminação específica de E. coli evidencia a seletividade do filtro. Os parâmetros físico-químicos, incluindo metais, mantiveram-se dentro dos limites seguros. Esses achados indicam que o xilema de S. tuberosa é um material promissor, de baixo custo e biodegradável, para o desenvolvimento de tecnologias de filtração baseadas na natureza. Essa abordagem representa uma via viável para aprimorar a qualidade da água e promover a saúde pública em comunidades rurais vulneráveis.
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