Políticas Editoriais

Foco e Escopo

A REALIS - Revista de Estudos AntiUtilitaristas e Pós-Coloniais - é um periódico acadêmico eletrônico voltado para divulgar estudos em Ciências Sociais sobre as sociedades periféricas surgidas no processo colonial. A REALIS inspira-se em dois movimentos teóricos que ganharam importantes expressões nas últimas décadas. Um deles é o Movimento Antiutilitarista nas Ciências Sociais (M.A.U.S.S.) fundado em 1981, na França, que tem como principal veículo de divulgação científica a Revue du MAUSS, com conexões importantes em outros países da Europa, da América, da Ásia e da África. O outro é a crítica pós-colonial e o “giro decolonial” que vêm se afirmando desde a periferia do sistema mundial com repercussões nos países centrais.

A crítica antiutilitarista organizada no “Norte” é fundamental para a crítica pós-colonial na medida em que recusa a redução da sociedade a uma determinação expressamente econômica. Tal crítica propõe que os estudos em Ciências Sociais considerem as várias motivações do agir humano que não se limitam a uma leitura ortodoxa do marxismo nem, por isso, perdem seu veio crítico, mas contemplam os fatores morais, afetivos e políticos que influenciam modos de subjetivação individuais e coletivos da vida contemporânea. A crítica antiutilitarista oferece uma contribuição importante para a crítica pós-colonial ao desvendar e denunciar o caráter mercadológico e reducionista da doutrina neoliberal. A crítica antiutilitarista enfatiza ainda os estudos sobre a Dádiva sistematizados por Marcel Mauss, permitindo compreender os sentidos ritualísticos das trocas de bens materiais e simbólicos entre indivíduos e grupos sociais.

Os Estudos Pós-Coloniais, por sua vez, organizados em situações de resistência em diversos momentos da história  colonial, sobretudo desde o século XIX, com as guerras de libertação das ex-colônias na África, dão protagonismo àqueles e àquelas intelectuais que nascem em tais contextos e visam a  identificar e discutir as formas de colonialidade que se revelam nas relações entre Norte e Sul e entre Sul e Sul. O pensamento pós-colonial revela uma reação cultural, social e política ampla que se afirmou pelas vozes até então silenciadas dos povos não europeus, cabendo destaque aos Estudos Culturais, aos Estudos Subalternos Indianos e dos povos originários contra a dominação eurocêntrica. Ao lado da Crítica Pós-Colonial em língua inglesa, temos a inflexão especialmente formulada pelo coletivo latino-americano conhecido como Modernidade-Colonialidade.

Para os Estudos Pós-coloniais, o eurocentrismo não possui necessariamente uma dimensão geográfica, mas significa um lugar imaginário de organização do poder colonizador que se reproduz no plano global e no plano nacional, ou seja, tanto no centro como na periferia. A crítica pós-colonial expressa o locus simbólico do poder colonizador em escala planetária. A desconstrução discursiva e política do eurocentrismo, símbolo do poder imperial na conquista de outras culturas, envolve uma série de revisões que mobiliza diversos movimentos sociais, feministas, antirracistas, sexuais, ambientais etc., a favor de um outro modo de organização social, política econômica e cultural.

A REALIS assume como missão promover uma crítica teórica antiutilitarista e pós-colonial que implica nos deslocamentos de olhares e de sentidos sobre a modernidade ocidental desde diversas perspectivas,  não europeias e europeias, com vistas a liberar outras utopias que se fazem urgentes com a crise das teorias da modernização. Os estudos pós-coloniais têm sido difundidos por autores latino-americanos, indianos, africanos e europeus, mas também canadenses, japoneses e outros que entendem a importância de se conceber a modernidade mediante a pluralidade social, política, psicológica, cultural e ecológica. A REALIS intenta somar à articulação crítica das correntes Norte-Sul e Sul-Sul e valorizar os diversos campos de reflexão que estão se organizando dentro e fora da Europa e dos países centrais. Assim, a REALIS parte do princípio de que a articulação das críticas antiutilitaristas, pós-coloniais e descoloniais permite um entendimento ampliado da associação entre capitalismo e colonialismo para apontar novas possibilidades de organização de processos libertários e emancipatórios nas esferas local, nacional e transnacional.

A REALIS visa a promover articulações intelectuais que envolvem diversas universidades, centros de pesquisas, associações científicas nacionais e internacionais em prol da difusão de ideias e acontecimentos que expressam o debate antiutilitarista e pós-colonial na América Latina e em outros continentes. Busca divulgar estudos sobre temas cruciais para as práticas associativas e democráticas como as relativas aos cuidados, à economia plural e solidária, à democracia participativa, à humanização na saúde e na educação, ao pluralismo e à diversidade, à interculturalidade e à sustentabilidade ecossocial, entre outros. A revista  também busca abrir espaços para atualização dos estudos sobre dependência e imperialismo, conflitos de classes, interétnicos e raciais, de gênero, nacionais e religiosos, os quais revelam a complexidade do capitalismo colonial e da colonialidade nas sociedades periféricas e nas relações Sul e Norte na  contemporaneidade.

A importância da REALIS ganha sentido no debate acadêmico e crítico mais amplo que atravessa os territórios das sociedades nacionais e se abre para territórios transnacionais, alcançando novas narrativas fronteiriças e novas utopias que ampliam as possibilidades de ressignificação humana do mundo em que vivemos.

A REALIS encontra-se institucionalmente vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE-Brasil), incentivando o debate sobre novos modos de comunicação e de colaboração entre pesquisadores que almejam articular os estudos sobre colonialismo e antiutilitarismo nos planos nacional e internacional.

 

Políticas de Seção

Artigos

Política padrão de seção

Verificado Submissões abertas Verificado Indexado Verificado Avaliado pelos pares

Editorial

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Entrevista

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Dossiê: Literatura e Estudos Pós-Coloniais

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Resenha

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Dossiê: Africanidades e Brasilidades: ensino, pesquisa e crítica

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Dossiê: Diálogos Ibero-Africanos

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Espaço Livre

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Traduções

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O Dom e a Racionalidade Teórica

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O Dom e a Crítica Pós-Colonial

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O Dom e o Universo Simbólico

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O Dom e o Sistema Familiar

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O Dom e a Prática Social

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Dossiê: El don, las inversiones extranjeras y la teoria social - Pablo Gonzalez Casanova

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Dossiê: Gênero, Sexualidade e Pós-colonialidade

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Educação e Estudos Pós-Coloniais

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Transculturalidad, Subjetivaciones Políticas y Alteridades en América Central y Caribe

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I Amor e Dádiva: Dois conceitos sociológicos

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II Práticas de Amor e de Dádiva para o social

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Conclusões

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Epílogo

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Estudos sobre América Latina na América Latina: configurações acadêmico-científicas e horizontes teóricos e metodológico

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Democracia e cidades latino-americanas e caribenhas na atualidade

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Dossiê da sociologia colombiana: esforços e singularidades

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Processo de Avaliação pelos Pares

Primeiramente, os artigos submetidos passam pela pré-avaliação da Equipe Editorial para verificação da pertinência do assunto. Uma vez aprovados nesta pré-seleção, os trabalhos são submetidos à apreciação de, no mínimo, dois pareceristas externos selecionados por especialidade e/ou afinidade em relação ao conteúdo temático dos trabalhos sob apreciação e não afiliados à instituição de origem do trabalho.

Os pareceristas revisam a qualidade dos trabalhos de acordo com seu rigor conceitual, relevância acadêmica, originalidade e clareza de exposição. A eles é reservado o direito de apresentar parecer favorável condicionado à reformulação do artigo ou trabalho congênere, apresentar sugestões para reformulação, bem como o direito de sugerir a edição do texto reformulado, desde que as eventuais alterações não afetem o seu conteúdo. Caso o parecer indique reformulações, todos os trechos deverão ser apontados com destaque de parágrafos e ou páginas, conforme o caso.

Os pareceristas têm um prazo de vinte dias corridos, a partir da data de entrega do artigo, para a apresentação do parecer. Este prazo poderá ser prorrogado por período igual ou menor, a critério do coordenador editorial, desde que a dilação do prazo não incorra em atraso nos trabalhos de composição e impressão da revista.

Os pareceristas são responsáveis pelo parecer referente à reavaliação do texto para o qual sugeriram alterações.

Os pareceristas devem revelar aos editores quaisquer conflitos de interesse que possam influir em suas opiniões sobre o manuscrito e declarar-se não qualificados para revisar originais específicos se acreditarem que esse procedimento é apropriado.

 

Periodicidade

Semestral. 

Número 1 | Janeiro-Junho - publicação em Setembro do mesmo ano

Número 2 | Julho-Dezembro - publicação em março do ano seguinte

 

Política de Acesso Livre

Esta revista oferece acesso livre imediato ao seu conteúdo, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico ao público proporciona maior democratização mundial do conhecimento.

Todo conteúdo da revista, com exceção de casos especificamente declarados, é licenciado sob uma licença Creative Commons CC Atribuição Não comercial, sem derivação 4.0. Devido à política de acesso aberto da Revista, todos os artigos são gratuitos e livres para uso, com atribuição apropriada, para fins educacionais e não-comerciais.

 

Arquivamento

Esta revista utiliza o sistema LOCKSS para criar um sistema de arquivo distribuído entre as bibliotecas participantes e permite às mesmas criar arquivos permanentes da revista para a preservação e restauração. Saiba mais...

 

APRESENTAÇÃO

REALIS - Revista de Estudos AntiUtilitaristas e Pós-Coloniais - é um periódico acadêmico eletrônico voltado para divulgar estudos em Ciências Sociais sobre as sociedades periféricas surgidas no processo colonial. A REALIS inspira-se em dois movimentos teóricos que ganharam importantes expressões nas últimas décadas. Um deles é o Movimento Antiutilitarista nas Ciências Sociais (M.A.U.S.S.) fundado em 1981, na França, que tem como principal veículo de divulgação científica a Revue du MAUSS, com conexões importantes em outros países da Europa, da América, da Ásia e da África. O outro é a crítica pós-colonial e o “giro decolonial” que vêm se afirmando desde a periferia do sistema mundial com repercussões nos países centrais.

A crítica antiutilitarista organizada no “Norte” é fundamental para a crítica pós-colonial na medida em que recusa a redução da sociedade a uma determinação expressamente econômica. Tal crítica propõe que os estudos em Ciências Sociais considerem as várias motivações do agir humano que não se limitam a uma leitura ortodoxa do marxismo nem, por isso, perdem seu veio crítico, mas contemplam os fatores morais, afetivos e políticos que influenciam modos de subjetivação individuais e coletivos da vida contemporânea. A crítica antiutilitarista oferece uma contribuição importante para a crítica pós-colonial ao desvendar e denunciar o caráter mercadológico e reducionista da doutrina neoliberal. A crítica antiutilitarista enfatiza ainda os estudos sobre a Dádiva sistematizados por Marcel Mauss, permitindo compreender os sentidos ritualísticos das trocas de bens materiais e simbólicos entre indivíduos e grupos sociais.

Os Estudos Pós-Coloniais, por sua vez, organizados em situações de resistência em diversos momentos da história  colonial, sobretudo desde o século XIX, com as guerras de libertação das ex-colônias na África, dão protagonismo àqueles e àquelas intelectuais que nascem em tais contextos e visam a  identificar e discutir as formas de colonialidade que se revelam nas relações entre Norte e Sul e entre Sul e Sul. O pensamento pós-colonial revela uma reação cultural, social e política ampla que se afirmou pelas vozes até então silenciadas dos povos não europeus, cabendo destaque aos Estudos Culturais, aos Estudos Subalternos Indianos e dos povos originários contra a dominação eurocêntrica. Ao lado da Crítica Pós-Colonial em língua inglesa, temos a inflexão especialmente formulada pelo coletivo latino-americano conhecido como Modernidade-Colonialidade.

Para os Estudos Pós-coloniais, o eurocentrismo não possui necessariamente uma dimensão geográfica, mas significa um lugar imaginário de organização do poder colonizador que se reproduz no plano global e no plano nacional, ou seja, tanto no centro como na periferia. A crítica pós-colonial expressa o locus simbólico do poder colonizador em escala planetária. A desconstrução discursiva e política do eurocentrismo, símbolo do poder imperial na conquista de outras culturas, envolve uma série de revisões que mobiliza diversos movimentos sociais, feministas, antirracistas, sexuais, ambientais etc., a favor de um outro modo de organização social, política econômica e cultural.

A REALIS assume como missão promover uma crítica teórica antiutilitarista e pós-colonial que implica nos deslocamentos de olhares e de sentidos sobre a modernidade ocidental desde diversas perspectivas,  não europeias e europeias, com vistas a liberar outras utopias que se fazem urgentes com a crise das teorias da modernização. Os estudos pós-coloniais têm sido difundidos por autores latino-americanos, indianos, africanos e europeus, mas também canadenses, japoneses e outros que entendem a importância de se conceber a modernidade mediante a pluralidade social, política, psicológica, cultural e ecológica. A REALIS intenta somar à articulação crítica das correntes Norte-Sul e Sul-Sul e valorizar os diversos campos de reflexão que estão se organizando dentro e fora da Europa e dos países centrais. Assim, a REALIS parte do princípio de que a articulação das críticas antiutilitaristas, pós-coloniais e descoloniais permite um entendimento ampliado da associação entre capitalismo e colonialismo para apontar novas possibilidades de organização de processos libertários e emancipatórios nas esferas local, nacional e transnacional.

A REALIS visa a promover articulações intelectuais que envolvem diversas universidades, centros de pesquisas, associações científicas nacionais e internacionais em prol da difusão de ideias e acontecimentos que expressam o debate antiutilitarista e pós-colonial na América Latina e em outros continentes. Busca divulgar estudos sobre temas cruciais para as práticas associativas e democráticas como as relativas aos cuidados, à economia plural e solidária, à democracia participativa, à humanização na saúde e na educação, ao pluralismo e à diversidade, à interculturalidade e à sustentabilidade ecossocial, entre outros. A revista  também busca abrir espaços para atualização dos estudos sobre dependência e imperialismo, conflitos de classes, interétnicos e raciais, de gênero, nacionais e religiosos, os quais revelam a complexidade do capitalismo colonial e da colonialidade nas sociedades periféricas e nas relações Sul e Norte na  contemporaneidade.

A importância da REALIS ganha sentido no debate acadêmico e crítico mais amplo que atravessa os territórios das sociedades nacionais e se abre para territórios transnacionais, alcançando novas narrativas fronteiriças e novas utopias que ampliam as possibilidades de ressignificação humana do mundo em que vivemos.

A REALIS encontra-se institucionalmente vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE-Brasil), incentivando o debate sobre novos modos de comunicação e de colaboração entre pesquisadores que almejam articular os estudos sobre colonialismo e antiutilitarismo nos planos nacional e internacional.