Chamada artigos para dossiê: América Latina frente aos novos desafios de luta e mobilização política

A revista REALIS informa a todas/os as/os interessadas/os que está aberta a chamada para o dossiê: América Latina frente aos novos desafios de luta e mobilização política cuja publicação está prevista para o primeiro semestre de 2018. 

Período de submissões de artigos: 25/11/2017 a 28/02/2018

Organizado por Danielle Michelle Moura Araújo (UNILA) e Daniela Perrolta da Universidade de Buenos Aires, este dossiê tem por objetivo reunir análises e reflexões que tratem de coletivos e movimentos da sociedade civil que lutam por direitos sociais nas complexas e heterogêneas conjunturas políticas que se apresentam na América Latina contemporânea.

O contexto do surgimento destes coletivos tem como base a violência racial, de gênero, dentre outras especificidades segregadoras. Neste panorama as demandas são antigas, mas as formas e os argumentos das reinvindicações trazem diferentes sentidos e demandam novas formas de articulação politica e organização social: algumas que se originam das redes sociais da internet e do chamado “ativismo digital” e outras (já existentes) que se potencializam a partir de tais redes para adquirir mais força e visibilidade nas “disputas por narrativas” que circunscrevem as mobilizações sócio-políticas atuais.

Para a chamada “Nova História Cultural”, o produto da história é a interpretação dos fatos. A ruptura com os “macro-discursos” e os questionamentos de uma História absoluta, colocou em cena atores que denunciam e reclamam direitos a partir de diferentes perspectivas, criando não apenas uma diversificação na agenda de demandas sociais, mas também uma polissemia dos conteúdos histórico-discursivos que fundamentam os parâmetros narrativos e comunicacionais de tais demandas.

Deste modo, buscamos trabalhos que contemplem, desde perspectivas analíticas pós-coloniais e antiutilitaristas, as formas emergentes de mobilização e de organização dos múltiplos lugares de fala, suas diferentes heterotopias e como suas pautas, reivindicações e demandas ecoam em diferentes lugares, são interpretadas com base em particulares experiências locais e, potencialmente, criam redes transnacionais de mobilização na América Latina. 

Importa ao dossiê reunir trabalhos, que podem estar nas línguas portuguesa, castelhana, francesa ou inglesa, e que apresentem essas novas formas de luta e de organização. Tais trabalham podem explorar, por exemplo, questões como: a pluralidade das organizações coletivas e suas respectivas estratégias comunicacionais e práticas culturais de resistência, as lutas pelos direitos sexuais, pela diversidade étnica e identitária, os genocídios concatenados ao racismo, ao machismo, à hetenormatividade, ao cispatriarcado e à misoginia, as farsas das ideologias conservadoras travestidas de “libertadoras”, as interepistemologias e os conflitos ambientais, a crescente privatização dos bens comuns, o problema da “interculturalidade funcional” (que incorpora discussões sobre diferença, mas que não consegue alterar efetivamente as estruturas e relações de poder), etc. 

Enfim, este número pretende contribuir com outras iniciativas epistêmicas que estão sendo conduzidas em países vizinhos e que visam refletir sobre os desafios que os movimentos sociais enfrentam na atualidade para combater o status quo e suas diferentes origens, manifestações e consequências.