As tensões eurocêntricas no pensamento de Mariátegui e os dilemas da constituição do marxismo na América Latina

Vinicius Limaverde Forte

Resumo


Este artigo apresenta as tensões eurocêntricas da interpretação marxista de Mariátegui acerca da formação da sociedade peruana. Por tensões eurocêntricas entende-se o processo de simultânea crítica e reiteração do paradigma eurocêntrico. Por um lado, Mariátegui contribuiria para a crítica ao eurocentrismo a partir de duas vias. Ao apontar como a relação entre capitalismo e colonialismo suscitou a articulação entre diferentes formas de propriedade privada e organização do trabalho em fundação da acumulação capitalista, recusando uma pretensa validade universal das etapas de desenvolvimento histórico europeu para compreensão da realidade latino-americana. Também contribuiu a partir da proposição da centralidade do papel das populações indígenas no processo de construção de um socialismo indo-americano. Por outro lado, a reiteração do eurocentrismo esteve relacionada com a hierarquia cultural estabelecida entre europeus e não europeus em sua compreensão das relações raciais na América Latina, destacadamente no que concerne das pessoas de origem africana e asiática.


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