Diálogo entre os estudos pós-coloniais e o feminismo latino-americano na compreensão do patriarcado na constituição da América Latina

Aline Renata dos Santos, Janssen Felipe Da Silva

Resumo


O artigo realiza um diálogo entre os Estudos Pós-coloniais (Grosfoguel, 2008; Mignolo, 2011; Quijano, 2005) e o Feminismo Latino-americano (Lugones, 2008; Paredes, 2011; Saffioti, 2015) para analisar o patriarcado como elemento constitutivo da América Latina, que sobrevive através das heranças coloniais, e compreender os novos desafios de luta e mobilização política de enfrentamento ao patriarcado. Este diálogo é relevante uma vez que as heranças coloniais que assolam às mulheres têm o seu cerne no patriarcado colonial-moderno, que impôs às mulheres da Abya Yala[1] e da África à condição de não sujeitos. Essa imposição consolidou um modelo de organização político-social referenciado no homem-branco-heterossexual-patriarcal-cristão. Tal organização não só estabeleceu um modo de ser mulher, como também gerou hierarquias intragênero que possuem como termômetro os marcadores de raça-etnia, classe social, território, sexualidade que ao se interseccionarem intensificam às subalternizações.

 

[1] Segundo Porto-Gonçalves (2009, p. 25), “significa Terra em florescimento e é sinônimo de América”.


Palavras-chave


Patriarcado. Estudos Pós-coloniais. Feminismo Latino-americano.

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