Quatro perguntas para as Ciências sociais na pandemia

Geoffrey Pleyers

Resumo


Cientistas sociais mostraram que a pandemia COVID-19 não é apenas uma crise sanitária. É também uma crise social e política, e deve ser tratada como um momento de ruptura que trará grandes mudanças em nossas vidas, nossas sociedades e nosso mundo. Embora muitas vezes deixadas de lado pelos formuladores de políticas, as contribuições das ciências sociais para lidar com a pandemia do coronavírus têm sido tão importantes e, de muitas maneiras, complementares às ciências exatas. A pandemia gerou um ciclo de desglobalização. Os estados fecharam suas fronteiras, as viagens e a mobilidade ao redor do mundo diminuíram drasticamente. Grandes eventos internacionais foram cancelados ou adiados. As famílias se isolaram em suas casas e a prioridade dos governos nacionais é garantir o acesso a equipamentos de saúde para proteção contra o vírus e suprimentos básicos para "seu próprio povo". No entanto, isso está acontecendo globalmente. É necessária uma sociologia mais global para melhor compreender e enfrentar os desafios que enfrentamos, para reunir boas práxis e exemplos de sucesso, para alertar sobre as ameaças e para pensar sobre o mundo que sairá desta crise global. Tal perspectiva global não deve ceder ao “globalismo metodológico” e se limitar a macroanálises. Cientistas sociais sublinharam o fato de que a crise também pode ser uma oportunidade para reconstruir o mundo de uma maneira diferente. Muitos enfatizam a necessidade de um mundo mais sensível e atento aos direitos humanos, aos cuidados e às desigualdades sociais, e com sistemas públicos de saúde mais fortes. Também nas ciências sociais, precisamos aprender com a experiência da pandemia de outros países e outras regiões do mundo


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Referências


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