Como se faz uma tese... descolonizada

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.51359/2179-7501.2022.253809

Palabras clave:

descolonização, escrita científica, carta, escrevivências, relatos de si

Resumen

Partindo da constatação de que mesmo as dissertações e teses defendidas nos programas de pós-graduação em ciências sociais e humanas em geral, bem como especificamente na subárea de ciências sociais e humanas dos programas de saúde coletiva, são cada vez mais padronizadas de acordo com o modelo IMRaD (Introdução, Materiais ou Métodos, Resultados e Discussão) e com os “bons conselhos” de Umberto Eco dados no seu livro Como se faz uma tese, nós aqui defendemos a tese da diversidade e pluralidade das formas de escrita acadêmica/científica, procurando resgatar aquelas que caíram em desuso (e.g.: cartas e diálogos) e incentivar a proliferação daquelas que estão em pleno florescimento (e.g.: escrevivências e relatos de si). Visando a sermos coerentes com a nossa própria proposta, nós nos valemos de um amálgama de gêneros ao longo das seções do texto, dialogando criticamente com a literatura dita especializada sobre a temática. Para realizar esse intento a contento, a premissa que nos guiará será a da interdisciplinaridade entre ciências sociais, humanidades e literatura.

Biografía del autor/a

André Luis Oliveira Mendonça, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Professor Adjunto do Instituto de Medicina Social.

Nilcéia Nascimento Figueiredo, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Mestranda do Instituto de Medicina Social.

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Publicado

2023-03-02

Número

Sección

I. Colonialidade na fronteira do conhecimento aplicado