Ensaiando aproximações de gênero e raça a luz do olhar pós-colonial

Domitila Costa Cayres

Resumo


Partindo da perspectiva dos grupos e culturas historicamente discriminados se busca, por meio da recuperação dos aportes dos estudos pós-coloniais, sobretudo, os desenvolvidos por Costa (s/d), Dussel (2005), Fanon, (1983) e Hall (2003), a ampliação dos horizontes teóricos e analíticos para uma adequada compreensão dos processos de opressão sofridos pelos grupos subalternos. Parte-se do reconhecido de que, embora a abordagem pós-colonial venha sendo frequentemente mobilizada para superação de uma visão essencialista da história moderna, que sedimenta uma visão excludente da vida social, existem ainda poucos trabalhos empíricos com foco voltado para a intersecção dos elementos raciais e de gênero. Busca-se preencher essa lacuna, assim, o ensaio tem como propósito pensar a discriminação de gênero e raça sofrida pelas mulheres negras no Brasil, tendo como referente empírico dois fóruns da sociedade civil brasileira, quais sejam: a Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) e Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB). Para isso, um estudo documental foi realizado e identificou-se que, estes fóruns mobilizam diferentes repertórios de ação política (cf. McAdam, Tarrow e Tilly, 2009) e optam por uma organização em redes interorganizacionais (Scherer-Warren, 2006), que possibilitam a articulação de diversas associações e movimentos sociais nacionais na expressão de demandas simbólicas e na consolidação de uma plataforma transversal de direitos que contemple a inclusão de diferentes identidades e valores em torno das questões feministas e étnicas. Apesar das diferenças temáticas e ideológicas, o estudo aponta que as articulações, amparadas por uma concepção ampla e transversal de direitos humanos, buscam estabelecer redes de solidariedade e de mútua-ajuda em busca de maior atuação e visibilidade na esfera pública e nos processos de desestabilização dos discursos dominantes com possibilidade de construção de novas subjetividades e de um projeto emancipador de sociedade mais justa e equânime.

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