A moral da história: adiar conversa como intervenção epistemológica
Resumo
O artigo questiona a validade epistemológica das categorias “africanidades” e “brasilidades” nas ciências sociais, sobretudo, ao problematizar um tipo de conhecimento que busca a legitimidade em sua localização geográfica ou geopolítica. Desconfia, assim, de uma ciência social que se pretende chamar a si mesma de periférica e nisto constituir sua autoridade. Provoca a discussão sobre a competência deste conhecimento se proclamar porta-voz dos “subalternos” e pergunta se estes de fato estão a falar a partir deste movimento teórico. Nesta perspectiva, elege a ideia mesma de lusofonia como controversa a ponto de perguntar o que justificaria sua primazia em face de outros idiomas se, na maior parte das vezes, o conceito serve à celebração de Portugal e Brasil, e sequer os países africanos de língua portuguesa têm seus nomes individualmente destacados. Ao duvidar de algo que por princípio una realidades díspares sob o signo da lusofonia, noutro aspecto, salienta que o que de fato unirá pessoas e povos, sob qualquer rubrica, será a vontade dos mesmos em se unir, portanto, as oportunidades efetivas de diálogo sobre por que e para que estamos a dialogar.
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