A afro-brasilização e a possibilidade de conhecimento da realidade social africana e brasileira contemporânea

Patrício Vitorino Langa

Resumo


Muito já se escreveu sobre os reducionismos a que África e o Brasil têm sido sujeitos enquanto objectos de conhecimento. A ideia de África e do Brasil já foram inventadas e reinventadas por vários autores de diversas correntes ideológicas, políticas, literárias, filosóficas e epistemológicas (Mudimbe, 1988; Ianni,1992). A questão de saber de que África e de que Brasil se está a falar quando nos referimos a essas duas entidades é, portanto, mais do que legitima. Nesta comunicação, pretendo refletir sobre os desafios epistemológicos e metodológicos para a recuperação gnosiológica destas duas entidades enquanto objectos de estudo e produção de conhecimento. A partir dos pressupostos analíticos da sociologia do quotidiano, defendo uma postura epistemológica que dê conta de práticas sociais históricas, por um lado, e das práticas quotidianas por outro, i.e., com temporalidades e espacialidades em permanente mutação, confluindo para um processo de produção de identidades sociais dinâmicas sobre a África e o Brasil. Neste sentido, a africanização dos brasis e a brasilização das áfricas, no que designo por afro-brasilização recupera e sugere uma postura epistemológica, à luz de Simmel (1983, 1996), que da conta da condição de possibilidade, portanto, de um ser que ainda não é, e de um fazer e desfazer permanente da realidade social Africana e Brasileira.

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