Um som que silencia. Ciência e colonialidade nos estudos musicológicos da música cokwe da Lunda, 1961 e 1967.

Cristina Sá Valentim

Resumo


Este artigo procura analisar as representações coloniais inscritas em dois estudos musicológicos sobre a música Cokwe do Lóvua e Camissombo, Lunda, e publicados pela Diamang (Companhia de Diamantes de Angola), em 1961 e 1967. A atenção é centrada no discurso colonial construído na relação entre conhecimento, poder e identidade, mais precisamente nos processos que, através de regimes de representação específicos, visaram construir a alteridade como subalternidade. Para isso é necessário atender analiticamente nas colonialidades que legitimaram e efetivaram sistemas políticos coloniais, nomeadamente através da ciência. Apresentando os resultados de uma investigação em curso, este artigo sugere que o discurso científico produzido através destes estudos musicológicos foi uma ferramenta de dominação política e um processo epistemológico e ontológico. O colonialismo é, acima de tudo, uma configuração cultural através da qual se vão construindo de forma hierarquizada e recíproca centros e margens, sendo a alteridade a categoria negativa do ‘Mesmo’.

This article aims to analyze the colonial representations of two musicological studies about the Cokwe music of Lóvua and Camissombo, Lunda, published by Diamang (Companhia de Diamantes de Angola) in 1961 and 1967. It focus on the colonial discourse produced in the relationship between knowledge, power and identity, precisely on the processes which through specific representational regimes build otherness as subalternity. For that is necessary analyze the colonialities that legitimized colonial political systems, namely through science. Presenting the results of an ongoing investigation, this paper proposes that the scientific discourse produced through these musicological studies was a political domination tool and a epistemological and ontological process. Colonialism is, above all, a cultural configuration through which are building in a hierarchical way and reciprocally centers and margins, and where the otherness is the negative category of the ‘same’.


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