A dádiva no trabalho dos agentes comunitários de saúde: a experiência do reconhecimento do amor, do direito e da solidariedade

Alda Lacerda, Paulo Henrique Martins

Resumo


O presente artigo aborda as interfaces entre as teorias da dádiva ou dom e do reconhecimento social, e tem como objetivo analisar a circulação de dádiva no cotidiano de trabalho em saúde, mais especificamente o dom do reconhecimento na prática dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). A pesquisa empírica foi desenvolvida de 2008 a 2010 na região de Manguinhos-RJ/Brasil, por meio da observação participante, entrevistas e grupos focais com quinze ACS que residem e atuam nas comunidades locais. Os resultados revelam o reconhecimento do amor, do direito e da solidariedade como um dom circulante nas interações do ACS com os usuários e demais trabalhadores da saúde, principalmente quando as ações de cuidado são realizadas nos espaços comunitários, de modo a fortalecer os vínculos e favorecer a inclusão dos atores em redes de apoio social. A sociabilidade presente na dádiva também é fundamental no reconhecimento, pois nos reconhecemos e somos reconhecidos como sujeitos de valor a partir do encontro com o outro. As teorias da dádiva e do reconhecimento social trazem importantes contribuições para a saúde coletiva, e apontam para a relevância de se compreender a circulação de dons na produção do cuidado integral e legitimar a esfera da afetividade, do direito e da solidariedade como um exercício de cidadania e democratização que deve se processar na práxis cotidiana de todos os trabalhadores da saúde.

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