Desenvolvimentismo, Modernidade e Teoria da Dependência na América Latina
Resumo
Os dependentistas latino-americanos produziram um conhecimento que criticou os pressupostos eurocêntricos dos cepalistas, incluindo as teorias marxistas ortodoxas e as norte-americanas sobre modernização. A crítica da escola dependentista acerca do “estagismo” (ou teoria dos dois estágios)[1] e do Desenvolvimentismo foi uma intervenção importante que transformou o imaginário de debates intelectuais em muitas partes do mundo. No entanto, vou argumentar que muitos dependentistas ainda ficaram presos no desenvolvimentismo e, em alguns casos, até mesmo no estagismo, que eles estavam tentando superar. Além disso, embora a crítica dependentista do estagismo tenha sido importante para a “negação da coetaneidade" que Johannes Fabian (1983) descreve como central para construções eurocêntricas da “alteridade", alguns dependentistas substituíram-na por novas formas de negação da coetaneidade. A primeira parte deste artigo discute a ideologia desenvolvimentista e o que eu chamo de "feudalmania" como parte da longue durée da modernidade na América Latina. A segunda parte discute o desenvolvimentismo dos dependentistas. A terceira parte é uma discussão crítica da versão de Fernando Henrique Cardoso acerca da teoria da dependência. Finalmente, a quarta parte discute o conceito dependentista de cultura.[1] A teoria dos dois estágios (ou “estagismo”) foi uma teoria política marxista que argumentou que os países subdesenvolvidos deveriam primeiro passar por uma fase de democracia burguesa antes de passar para a etapa socialista.
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