Políticas da cultura e espaços decoloniais. Elementos para uma teoria sobre o museu inclusivo.

Alexandro Silva de Jesus

Resumo


O artigo se inscreve entre as tentativas de estabelecer, com alguma consistência, um sentido para o museu inclusivo, termo que ao menos desde a Mesa Redonda de Santiago do Chile, o campo museal latino-americano se vê às voltas. Seu primeiro esforço consiste em demonstrar – a partir da teoria do campo científico de Pierre Bourdieu – como o campo museal brasileiro apresenta peculiaridades em sua disposição que impedem que o termo em questão seja esclarecido exclusivamente a partir de seu meio. Isso exigiu que enfrentássemos o desejo de ciência que o campo museal sustenta, e verificássemos a possiblidade de uma alternativa a esse desejo. A partir disto, argumentamos sobre a necessidade de nos resolvermos a partir de uma análise sobre a Governamentalidade moderna, e que esse deslocamento torna as bases da Política Nacional de Museus, locais privilegiados para a concretização teórica. Em seguida, o artigo procura mapear os componentes que, articulados, deverão fazer emergir o sentido inclusivo do museu moderno. E para fazê-lo, se detém no acordo entre experiência política e dispositivos culturais (as ciências e as artes de um modo geral) em sua versão iluminista, a partir de uma filosofia da cultura capaz de lançar novas luzes sobre a função disciplinar do museu moderno. Em seu último movimento, o artigo oferece uma perspectiva sobre o museu inclusivo a partir das demandas dos espaços decoloniais, onde a costura social é capaz de mesclar tanto práticas próprias das regiões coloniais como das sociedades capitalistas. Esse seu objetivo final, ancorado particularmente no pensamento de Frantz Fanon, sela a relação entre as políticas culturais e as ações pacificadoras nesses espaços.

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