Espalhando Axé nas ruas

Sinopse:

O presente ensaio fotográfico, intitulado “Espalhando Axé nas ruas” é um esforço analítico e descritivo acerca da relação que as religiões indo-afro-pernambucanas estabelecem hoje com a esfera pública. As fotografias foram tiradas no dia 29 de janeiro de 2017, durante o evento religioso intitulado “Águas de Oxalá”. Evento esse que acontece na cidade de Moreno, região metropolitana do Recife-PE. É realizado pelo terreiro “Ilé Axé Vodum Oya Alabá”, uma casa de linha jeje-nagô, situada na periferia da cidade de Moreno-PE. O festejo é coordenado pelo Babalorixá Clóvis Figueiroua, ou simplesmente Clóvis de Alabá. O evento acontece anualmente, sempre no último domingo de janeiro, há quatro anos. É o festejo que marca o início do calendário anual de atividades do terreiro. Os membros do “Ilé Axé Vodum Oyá Alabá” e outros participantes se concentram na Praça da Bandeira, local central na cidade, e seguem em cortejo até o terreiro. É emblemático pensar a relação que as religiões indo-afro-pernambucanas estabelecem hoje com a esfera pública. Por exemplo, em Pernambuco, nos anos de 1930, existiu o Serviço de Higiene Mental (SHM), órgão vinculado a Assistência a Psicopatas do Recife. O SHM tinha, entre outras, a função de regulamentar a atividade dos terreiros no estado de Pernambuco, era através dos profissionais de saúde que atuavam no órgão, chefiados pelo médico psiquiatra Ulysses Pernambucano, que se obtinha a licença de funcionamento para os terreiros, intermediando assim a relação que as casas de culto estabeleciam com a polícia e o Estado. As casas de axé que não eram consideradas legitimas, fosse pela polícia ou por líderes de outros terreiros, tendo praticantes efetivos de cultos religiosos, eram fechadas pelo poder policial, muitas vezes de forma violenta. Hoje, exatos 97 anos depois, mesmo com todos os estigmas que ainda persistem sobre as religiões de matriz indo-afro-brasileiras, elas conseguem adentrar em espaços que antes eram exclusivos das denominações religiosas provenientes de uma matriz cristã, e nem era cogitada a sua presença no espaço público.

Palavras-chave:

Espaço público, louvação a Oxalá, candomblé na rua

Ficha técnica:

Autor/ Author: Raoni Silva, Mona Lisa Araújo

Fotos/ Photografics: Raoni Silva, Mona Lisa Araújo

Direção e Texto/ Direction and Text: Raoni Silva, Mona Lisa Araújo

Edição de Imagem/ Image editing: Raoni Silva, Mona Lisa Araújo

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