COOPERAÇÃO ENTRE OFÍCIOS NO VER- O -PESO PARA A PRODUÇÃO DO TUCUPI

Sinopse:

O Ver-o-Peso é o mais conhecido mercado de Belém, importante ponto turístico e lugar de encontro com a cultura nortista. Este espaço diversificado é cenário de múltiplos personagens, práticas de trabalho e comércio de produtos locais. A mandioca (Manihot esculenta Crantz), planta originária da América do Sul, “é herança de nossos ancestrais indígenas”. (BRABO, 2017:1). Até hoje a comercialização do produto é importante para a culinária paraense, além de ser fonte de subsistência de muitas comunidades que vivem da agricultura familiar e agregam saberes e tradições ao cultivo e fabricação de seus derivados, em destaque o tucupi. Conforme Brabo (2017), a cidade do Acará é a maior produtora de mandioca do Pará. Foi observado in loco que o processo de obtenção do líquido é fragmentado nas seguintes etapas: após chegar ao mercado, a raiz é descascada manualmente, colocada em um recipiente a fim de ser transportada até o local onde será lavada e em seguida passará pela trituração com o auxílio de um moedor elétrico. A massa é conduzida até a pessoa que realizará a ação de prensar na saca para extrair a manipueira (sumo repleto de substâncias tóxicas), que fermenta por 72 horas e decanta o amido. O caldo é cozido para que seja evaporada a toxidade, neste momento são acrescentados alguns condimentos como chicória, sal e cheiro verde. Espera-se esfriar, ato de coar, embalar e vender o tucupi já pronto para o consumo. De acordo com informações fornecidas por um dos vendedores do local, a maior parte das pessoas que realiza os ofícios observados no ensaio são acaraenses que aprenderam a profissão com seus pais e avós, “na maioria desses processamentos podemos analisar aspectos muito caseiros e rudimentares, transpassados por gerações até os dias atuais” (CALXTO;DIAS;RODRIGUES, 2016:2). Heranças de alguns instrumentos que eram utilizados nos ambientes familiares ainda estão presentes na prática dos produtores de tucupi. A esperança de melhorias no salário e condições de vida provocou a migração de algumas dessas pessoas para a cidade de Belém e fez nascer em seus ofícios exigências antes não perceptíveis, uma delas é a necessidade de rapidez na produção também ocasionada pela mudança da clientela. Há catorze anos, o moedor que tritura uma grande quantidade de matéria em um curto período de tempo começou a ser utilizado, promovendo uma aceleração no ato de ralar a mandioca, obedecendo aos critérios modernos de geração do capital e a relação ‘tempo é dinheiro’. A produção de um dos mais famosos líquidos do Pará é marcada pela cooperação de diferentes personagens. Embora o mercado seja um espaço macro, cada trabalhador ocupa um lugar micro em que as relações de venda e auxílio mútuo acontecem e caracterizam esse local como um laboratório sociocultural marcado pela diversidade de pessoas e ofícios. O comércio de ingredientes da culinária e objetos da cultura local ganham visibilidade nacional e também global, já que uma grande quantidade de turistas visitam o Ver-o-Peso diariamente, levando para suas casas alguns litros do líquido amarelo dentro de garrafas, nas quais estão contidas relações de trabalho e cooperação entre os sujeitos participantes, seus anseios e suas práticas herdadas.

Palavras-chave:

Ver-o-Peso. Mandioca. Tucupi. Ofícios.

Ficha técnica:

Autor: Karla da C. Ferreira; Daniel dos S. Fernandes; Keila de P. F. de Quadros

Fotografias: Karla da C. Ferreira

Direção, Edição de Imagem e Texto: Karla da C. Ferreira; Daniel dos S. Fernandes; Keila de P. F. de Quadros

COOPERATION BETWEEN CRAFTS IN VIEWING THE TUCUPI PRODUCTION

Synopsis:

Ver-o-Peso is the best known market in Belém, an important tourist spot and a place to meet with the culture of northern Brazil. This diverse space is a scene of multiple characters, work practices and local products trade. Manihot (Manihot esculenta Crantz), a plant native to South America, "is inherited from our indigenous ancestors". (BRABO, 2017: 1). To date, the commercialization of the product is important for the Paraense cuisine, as well as being a source of subsistence for many communities that live from family agriculture and add knowledge and traditions to the cultivation and manufacture of its derivatives, in particular tucupi. According to Brabo (2017), the city of Acará is the largest producer of cassava in Pará. It was observed in loco that the process of obtaining the liquid is fragmented in the following stages: after reaching the market, the root is peeled manually, placed in a container in order to be transported to the place where it will be washed and then will be crushed with the aid of an electric grinder. The dough is then taken to the person who will press the sack to extract the mango tree (juice filled with toxic substances), which is fermented for 72 hours and decanted the starch. The broth is cooked to evaporate the toxicity, at this time are added some condiments such as chicory, salt and green scent. It is expected to cool down, to coar, to pack and sell the tucupi already ready for consumption. According to information provided by one of the local vendors, most of the people who perform the skills observed in the essay are those who have learned the profession from their parents and grandparents, "in most of these processes we can analyze very homemade and rudimentary, for generations to the present day "(CALXTO; DIAS; RODRIGUES, 2016: 2). Inheritances of some instruments that were used in familiar environments are still present in the practice of tucupi producers. The hope of improvements in wages and living conditions caused the migration of some of these people to the city of Bethlehem and gave birth to their previously unseen requirements, one of them being the need for speed in production also caused by the changing clientele. Fourteen years ago, the grinder that crushed a large quantity of matter in a short period of time began to be used, promoting an acceleration in the act of grating the cassava, obeying the modern criteria of generation of capital and the relation 'time is money'. The production of one of the most famous liquids of Pará is marked by the cooperation of different characters. Although the market is a macro space, each worker occupies a micro place in which sales relations and mutual assistance take place and characterize this place as a sociocultural laboratory marked by the diversity of people and crafts. The trade in cooking ingredients and objects of local culture gain national as well as global visibility, as large numbers of tourists visit Ver-o-Peso daily, taking home a few gallons of the yellow liquid inside bottles in which they are contained working relationships and cooperation between the participants, their aspirations and their inherited practices.

Keywords:

Ver-o-Peso. Mandioca. Tucupi. Crafts.

Credits:

Author: Karla da C. Ferreira; Daniel dos S. Fernandes; Keila de P. F. de Quadros

Photographs: Karla da C. Ferreira

Direction, image editing and text: Karla da C. Ferreira; Daniel dos S. Fernandes; Keila de P. F. de Quadros

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