Chamada para o dossiê temático 2026.1 - Encruzilhadas Étnico-Raciais: impactos, transformações e desafios das ações afirmativas
[Prazo prorrogado] Encruzilhadas Étnico-Raciais: impactos, transformações e desafios das ações afirmativas
Organizadores: Ana Cláudia Rodrigues da Silva (UFPE), Gilson José Rodrigues Junior (IFRN), Edilma Nascimento (MIR/Univasf)
A Revista Anthropológicas convida pesquisadoras e pesquisadores a submeterem artigos para o dossiê “A Antropologia Brasileira em face das Encruzilhadas Étnico-Raciais: impactos, transformações e desafios das ações afirmativas”. Este dossiê resulta dos debates promovidos no pré-evento realizado na UFMG em 2024, preparatório da 34ª Reunião Brasileira de Antropologia (RBA), que proporcionou uma reflexão crítica e abrangente acerca do papel da Antropologia brasileira no contexto das relações étnico-raciais, com ênfase nos efeitos das políticas de ações afirmativas sobre o acesso, a permanência, a produção e a circulação do conhecimento.
O objetivo é fomentar uma análise crítica sobre as disparidades entre a Antropologia idealizada e aquela efetivamente praticada, considerando as perspectivas de grupos historicamente marginalizados. Busca-se, ainda, dialogar com profissionais de outras áreas sobre as contribuições da Antropologia para a gestão pública, especialmente no que tange à implementação e aos impactos das ações afirmativas.
Pretende-se oferecer uma análise aprofundada acerca das contribuições das ações afirmativas para a construção de uma Antropologia mais inclusiva no Brasil, reconhecendo avanços, limites e desafios. O conceito de “encruzilhada” é adotado como método e chave analítica para compreender como a ampliação da presença de pessoas negras, indígenas, quilombolas e de outros grupos etnicamente minorizados nos programas de pós-graduação e nas equipes de pesquisa tem reconfigurado cânones, deslocado a promessa de neutralidade e evidenciado o dispositivo de racialidade nas rotinas institucionais (seleção, avaliação, circulação, publicação).
Esses deslocamentos recolocam corpo, raça, classe, gênero, sexualidade, geração e território como dimensões indissociáveis da produção etnográfica, convocando éticas do cuidado (autoria, coautoria, devolutivas), revisões bibliográficas e curriculares, bem como enfrentamentos à branquitude enquanto norma epistêmica. O dossiê visa mapear e analisar as respostas conceituais, metodológicas e institucionais da Antropologia brasileira às encruzilhadas abertas pelas ações afirmativas.
Serão acolhidas investigações que abordem etnografias engajadas, auto/heteroetnografias, pesquisa-ação, metodologias mistas, uso crítico de bases administrativas com recorte racial, protocolos e instrumentos institucionais (bancas de heteroidentificação, comissões de permanência, políticas antirracistas), regimes de mérito e avaliação por pares, além de práticas de docência, currículos e bibliografias. Também são bem-vindas reflexões sobre tecnologias e dados (invisibilidades, vieses algorítmicos, justiça informacional) e sobre ética da pesquisa (autoria, coautoria, arquivamento e circulação pública do conhecimento).
Prazo para envio de artigos: 10/05/2026