Peixes, Lontras e Arraias: resistência étnica dos índios Krahô através da festa

Júlio César Borges

Resumo


Este trabalho aborda a importância da festa (amjikin) nos processos recentes de resistência étnica dos índios Krahô (Mehi). Parto dos seguintes pressupostos: a) os conhecimentos rituais têm uma origem externa, de onde então são apreendidos; b) os conhecimentos se fundamentam na experiência direta, isto é, nas percepções captadas pelos sentidos, sejam eles olfativos, visuais, auditivos; c) entre os Timbira e, em particular, entre os Mehi, o ouvir recebe ênfase social enquanto faculdade moral e cognitiva associada ao conhecer-compreender. Apresento o caso etnográfico da Festa dos Peixes e das Lontras, cujos cantos revelam uma linguagem cifrada repleta de conhecimento sobre o ambiente aquático, seus animais e relações ecológicas. Conhecimento este veiculado como metáfora dos valores morais da sociedade Mehi e contextualmente adequado para afirmação da união entre as aldeias frente ao cerco colonial.

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