TARRAFA, ANZOL & FLECHA: Tecnologia Xamânica de Predação entre Humanos e Encantados no nordeste paraense.

Jerônimo da Silva e Silva Silva Silva

Resumo


A partir de pesquisa de campo realizada na região bragantina, nordeste paraense, com rezadeiras e parteiras, o presente artigo é uma tentativa de apreensão do aparato conceitual que norteia cosmologicamente a rede de contato entre pessoas e encantados. Explicados originalmente como entidades que perpassam cosmologias de matrizes afro-brasileiras, ameríndias e cristãs, os encantados nesta área da Amazônia tem como lugar de encantaria ou habitação predileto o universo subaquático, podendo emergir vez ou outra tanto para “mundiar” e “sequestrar” crianças e “pessoas fracas”, quanto serem evocados por pajés e rezadeiras para “orientar” e “curar”, portanto, nas duas circunstâncias são passíveis de atraírem e serem atraídas – intencionalmente ou não – por pessoas com o “dom de receber caboclo”. Ao analisar a relação entre humanos e encantados, evocamos a etnografia sobre uma parteira-pescadora na interação com mães d’água pela manutenção da vida e saúde de infantes na localidade e visibilizamos a aproximação entre a noção cosmológica de “pegar gente” e “pegar peixe”. Os instrumentos de pesca, desse modo, emergem analogicamente como aparato cosmológico de tecnologia xamânica mui eficaz entre esses existentes no intento de desvelar práticas de predação, portanto, modos de ser entre ontologias amazônicas: esboçamos ainda que o melhor domínio de “tarrafas”, “anzóis” e “flechas” expõe e não se furtam a enredar uma analítica xamânica do pescar etnográfico entre os referidos mundos.

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