O mal e os amores difíceis: tecidos relacionais habitados por homens condenados por estupro de vulnerável e mulheres a eles vinculadas
DOI:
https://doi.org/10.51359/2525-5223.2019.241225Parole chiave:
estupro, amor, moralidade, mal, estadoAbstract
Neste artigo, resultado de uma etnografia que tem como interlocutores homens condenados por terem cometido estupro de vulnerável e pessoas a eles vinculadas afetivamente, descreverei os efeitos da sentenças condenatórias em tecidos relacionais, dando especial atenção ao problema do mal, causador de sofrimento, e às formas de engajamento com o outro que perpassam, sobretudo, mas não exclusivamente, a prática do amor. O trabalho - a um só tempo afetivo, burocrático, moral e narrativo - ao qual os meus interlocutores se devotam sugere a necessidade de produção de relações em que os sentenciados possam habitar como homens injustiçados, vinculados a pessoas que os amam em atos e junto a eles combatem a substância do mal. A minha aposta mais abrangente é a de que devemos entender esse trabalho como um atividade relacional de cunho ético. Busco, ao fim e ao cabo, descortinar uma série de nexos entre emoções, moralidade, Estado e gênero.
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