“Acordamos, somos cidadãos”: os evangélicos e a constituição ética de si na relação com o político

Cleonardo Gil de Barros Mauricio Junior

Resumo


Este trabalho tem como objetivo principal compreender a forma como os crentes pentecostais constituem-se a si mesmos como sujeitos na relação com a política. Levando em consideração os embates públicos ocorridos na esfera pública brasileira em torno das questões relativas aos direitos sexuais e reprodutivos, e que colocaram em lados opostos igrejas pentecostais e movimentos sociais, afirmo que os fiéis ordinários dessas igrejas têm recebido de seus líderes a incumbência moral de se posicionarem politicamente em suas vidas cotidianas na defesa de temas caros aos seus sistemas de valores. “Crente também é cidadão” e, por isso, “tem de se posicionar” é o que recomenda aos seus liderados o pastor Silas Malafaia, um dos líderes pentecostais mais polêmicos no que diz respeito aos embates contra os movimentos sociais. Diante desse novo código moral, que chamo de pentecostaharsh, no qual uma cidadania política é atrelada à constituição de um sujeito religioso, pretendo saber como se dá esse processo, que chamo de constituição do crente-cidadão, no dia a dia dos fiéis e em suas relações fora da igreja. 

Para dar conta  da constituição do crente-cidadão, realizei trabalho de campo com observação participante na sede nacional da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, localizada no bairro da Penha, na cidade do Rio de Janeiro, a igreja do pastor Silas Malafaia. Participei das reuniões de um grupo específico, o Universe, responsável por debater a vida cristã na universidade e munir os jovens de argumentos legítimos para discutirem e defenderem os pontos de vista da igreja em suas respectivas faculdades. Com isso, pretendo mostrar como os jovens crentes da igreja de Malafaia dão conta dessa missão em suas vidas cotidianas, principalmente na faculdade, e definem a sua conduta ética em meios às tensões políticas que têm caracterizado a sociedade brasileira atualmente.

 


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