Imagens de selvageria e civilização: os Miranha e as fotografias de Albert Frisch

Autor/innen

  • Maria Luisa de Souza Lucas Musée du quai Branly - Jacques Chirac ; Museu Nacional - UFRJ

DOI:

https://doi.org/10.51359/2525-5223.2023.245927

Schlagworte:

Albert Frisch, Miranha, Amazônia, Rio Solimões, Fotografia

Abstract

O objetivo desse artigo é apresentar ao leitor algumas imagens do álbum Résultat d’une Expédition Photographique sur le Solimões ou Alto Amazonas et Rio Negro feitas na segunda metade do século XIX pelo fotógrafo alemão Albert Frisch e hoje tidas como as primeiras fotos da Amazônia. Nossas atenções estarão voltadas especialmente para as fotografias tomadas entre os Miranha no alto e médio Solimões. Por meio da comparação entre os artifícios de composição e montagem das imagens com os dados etnográficos e históricos disponíveis, veremos como as fotografias oscilam em retratar os Miranha ora como “selvagens”, ora como “civilizados”. Notaremos ainda como tais atributos, aparentemente contraditórios, não são uma particularidade do trabalho de Frisch.

Autor/innen-Biografie

Maria Luisa de Souza Lucas, Musée du quai Branly - Jacques Chirac ; Museu Nacional - UFRJ

Bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (2011). Mestrado (2014) e Doutorado (2019) pelo Programa de Pós-graduação em Antropologia Social do Museu Nacional/UFRJ. Pós-doutoranda no musée du quai Branly - Jacques Chirac (2019-2020).  É ainda professora temporária na Université Paris Nanterre (Ethnologie Américaniste) e pesquisadora responsável pelo componente Bora-Miranha do projeto 914BRZ4019 (UNESCO/Museu do Índio - FUNAI). Tem experiência em trabalho de campo em comunidades indígenas e desde 2014 trabalha junto aos Bora-Miranha e outros Povos do Centro que vivem na Amazônia Ocidental. Se interessa mais especificamente por temas como: histórias e temporalidades indígenas, relações assimétricas na Amazônia e acervos museológicos colaborativos.

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Veröffentlicht

2024-04-29

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