A Arte da Interferência - Descolonizando a saúde global e perspectivando horizontes

Auteurs

DOI :

https://doi.org/10.51359/2525-5223.2023.260819

Mots-clés :

COVID-19, Antropologia da Saúde, Necropoliticas, interferência, saúde pública, politicas de saúde

Résumé

Diante da incerteza pandêmica e da luta intensifi-cada contra o racismo sistêmico, este artigo argumenta que a antropologia médica é singularmente capaz de refletir sobre o momento que a saúde global vive. Isso é devido ao nosso com-promisso etnográfico e ativista com o corpo plural e com dis-tintas condições humanas, bem como à constante recalibração de contribuições teóricas e práticas para a arte do cuidado. Se a idéia de intervenção implica consertos tecnológicos e políti-cos, a antropologia permite modos alternativos de interferên-cia: desmobilizando idéias de naturalidade, desestabilizando o senso comum de quais formas de vida nossas sociedades e tec-nologias apoiam, e revelando compromissos que vão bem além de resgates humanitários pontuais atrelados e que procu-ram garantir a saúde como direito e instanciar justiça social. Contra o pano de fundo de uma crescente tensão entre a tec-nocrática produção de microdispositivos humanitários e o de-senvolvimento de uma ciência integrada de saúde planetária, o artigo ilumina a urgência da articulação de uma ética amazô-nica de cuidado.

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Publiée

2024-05-06

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