Sinopse:
Este ensaio visual é fruto de um projeto de pesquisa que tem com um dos objetivos realizar discussões sobre cenas de comunidades quilombolas amazônicas no percurso da pandemia da COVID-19 e construído ao longo de um projeto de pesquisa da Universidade Federal do Pará (UFPA) entre 2020 e 2021 e foi realizada via Faculdade de Enfermagem (FAENF-ICS-UFPA) e Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGENF-UFPA). Apresenta o cotidiano do ir e vir de pessoas de uma comunidade quilombola da Amazônia Paraense que precisa deslocar-se entre a comunidade e a cidade sede para suas atividades.
Identificada entre as ilhas de Abaetetuba, a comunidade quilombola do Baixo e Médio Itacuruçá, é integrante da 6° região de saúde do estado do Pará e localizada às margens do rio Maratauíra, afluente do rio Tocantins. É uma comunidade com várias atividades que resulta em deslocamento constantes de seus indivíduos para fins comerciais ou não, via embarcações e/ou por ônibus. Neste sentido centra-se em apresentar as interações realizadas para manutenção das atividades para além da comunidade. Logo, é importante ressaltar mediante o cenário de emergência sanitária a situação de vulnerabilidade de comunidades quilombolas ficou mais evidente, principalmente pelo registro do número de casos de óbitos registrados pelas frentes específicas desses grupos como a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Quilombolas (CONAQ) A organização e enfrentamento destas comunidades frente a pandemia ocorreu por diversos mecanismos que uniram entidades de saúde, profissionais e educação a fim de realizar comunicações, ainda que com algumas limitações (CASTRO et al, 2020).
Ainda neste sentido, acerca das relações sociais que envolvem a locomoção dos indivíduos em tempos de pandemia, entende-se que o direito de ir e vir foi restringido, a fim de seguir os protocolos sanitários e assegurar que a circulação do vírus fosse controlada principalmente entre os grupos vulneráveis. Entretanto, o que foi observado ao longo da pesquisa é que à medida que os meses foram avançando as restrições foram diminuindo, e portanto, o uso de máscaras, avisos de cuidados e prevenção à COVID-19 foram sendo menos identificados no percurso do deslocamento das pessoas nesse território. Seja por meio dos indivíduos ou pelos serviços de transportes, os protocolos sanitários foram poucos identificados e/ou praticamente inexistentes quando do deslocamento por meio de pequenas embarcações amazônicas Percebeu-se que apesar de toda a importância do controle sanitário o ir e vir das pessoas que vivem nas comunidades quilombolas da região permaneceram em virtude da necessidade de dar continuidade aos fazeres e ao modo de vida das populações amazônicas que dependem de deslocamentos entre as águas dos rios e o transporte público.
A técnica etnográfica foi aplicada como norteador para captação de imagens das práticas, dos costumes e das atividades das pessoas e sua discussão realizada por meio da compreensão da dinâmica do registro e paisagem a partir da realidade Amazônica (SIMONIAN, 2007). Nesse sentido, buscou-se compreender os fenômenos sociais a partir do respeito aos indivíduos e aos grupos investigados, a fim de compreender a organização social de determinado local com a imersão nos dados e no processo de viver das pessoas (MALINOWSK, 1978). O registro das atividades ocorreu pela utilização de um diário de campo para fins de composição da narrativa e por meio de uma câmera do celular modelo Xiaomi Mi 8.
Palavras-chave:
Populações vulneráveis; Pandemia; Deslocamento; Quilombolas; Amazônia.
Key Words:
Vulnerable populations; Pandemic; Displacement; Quilombolas; Amazonia.
Ficha técnica:
Autoras: Monique Teresa Amoras do Nascimento, Jéssica Fernanda Carvalho de Carvalho e Nádile Juliane Costa de Castro.
Direção, pesquisa e edição: Monique Teresa Amoras do Nascimento, Jéssica Fernanda Carvalho de Carvalho e Nádile Juliane Costa de Castro.
Fotografia: Monique Teresa Amoras do Nascimento.
Datasheet:
Authors: Monique Teresa Amoras do Nascimento, Jéssica Fernanda Carvalho de Carvalho e Nádile Juliane Costa de Castro.
Direction, research and editing: Monique Teresa Amoras do Nascimento, Jéssica Fernanda Carvalho de Carvalho e Nádile Juliane Costa de Castro.
photography: Monique Teresa Amoras do Nascimento.