Sinopse:
Historicamente, podemos dizer que a antropologia é uma disciplina conhecida por seu interesse em estudos de populações ditas “marginalizadas”. No Brasil, ela constituiu-se por um elevado número de pesquisas que levassem em consideração populações indígenas, negras, periféricas, camponesas, dentre outras. Durante praticamente todo século 20 o objetivo maior dos pesquisadores era explicar o Brasil, analisando as diferenças entre os tipos de populações existentes na cultura nacional. Diferente de outras nacionalidades, a antropologia brasileira buscou estudar o próprio país; o principal interesse era a formação da sociedade brasileira, levando em consideração o povo formador do Brasil e como constituir uma idéia de identidade nacional com a população já existente. Tanto as teorias em torno do conceito de inclusão da população negra nos espaços de poder quanto os discursos racistas (e suas diversas modalidades de existência) encontram no sistema escravocrata e nos aspectos da identidade cultural um ponto de convergência. É nesse entrelaçamento que podemos apontar as proximidades de contextos históricos com aplicabilidades de ações que hoje tornam possível a presença de pessoas negras em ambientes de poder, como por exemplo os espaços acadêmicos.
Não é de hoje que se sabe que o sistema de cotas atribuiu para a sociedade brasileira um rico e grande debate em torno dos projetos desenvolvidos sobre a identidade do país. Essa discussão passou, historicamente, por diversos „níveis‟ até chegar aos dias atuais e é possível encontrarmos elementos que divergem e aproximam esses debates às perspectivas racialistas, tendo em vista que o acesso às instituições de ensino superior não significou a inclusão dos negros em toda sua totalidade. De acordo com o Programa de Combate ao Racismo Institucional – PCRI, o racismo institucional “acontece quando instituições e organizações fracassam em prover um serviço profissional e adequado às pessoas por causa de sua cor, cultura, origem racial ou étnica”. Dentre as várias formas de manifestações, o racismo se revela por meios de normas, práticas e comportamentos adotados no cotidiano de instituições e produz efeitos devastadores sobre aqueles que o recebem. Pensar nas infra-estruturas sócio/culturais e nos impactos das produções teóricas sobre as formas de como as sociedades se organiza e interage talvez seja o grande desafio dos intelectuais, e porque não dizer dos próprios antropólogos. Contudo, o que há de comum entre o sistema que coloca os negros em situação de solidão e os espaços de intelectualidade?.
O curta busca promover um debate acerca da solidão dos corpos negros no universo acadêmico. A narrativa aponta para as várias formas imbricadas pelo sistema de estabelecer o racismo, e de como a infraestrutura desse espaço, seja através dos moldes coloniais, ou subjetivos, subalterniza o corpo negro intelectual e político, de tal forma a não abarca-lo em sua totalidade. Dessa forma, o enredo foi estruturado com diálogos, relatos de corpos negros teóricos, bem como cenas ficcionais que retratam o viver negro na universidade. A produção do curta documentário surge então tendo a imagem como uma importante ferramenta de comunicação no campo da antropologia visual, no imaginário que pode aguçar e nos sentidos e reflexões que poderão existir no que tange à dimensão da infraestrutura e do afeto nos corpos negros teóricos.
Sinopsis:
Historically, we can say that anthropology is a discipline known for its interest in studies of so-called "marginalized" populations. In Brazil, it has been constituted by a large number of research studies that take into consideration indigenous, black, peripheral, and peasant populations, among others. During practically the entire 20th century the main objective of researchers was to explain Brazil, analyzing the differences between the types of populations existing in the national culture. Different from other nationalities, Brazilian anthropology sought to study the country itself; the main interest was the formation of Brazilian society, taking into consideration the people who formed Brazil and how to constitute an idea of national identity with the existing population. Both the theories around the concept of inclusion of the black population in spaces of power and racist discourses (and their various modes of existence) find in the slave system and in aspects of cultural identity a point of convergence. It is in this intertwining that we can point out the proximities of historical contexts with the applicability of actions that today make possible the presence of black people in environments of power, such as academic spaces, for example.
It is not known today that the quota system has given Brazilian society a rich and great debate around the projects developed about the country's identity. This discussion has historically gone through several "levels" until it reached the present day, and it is possible to find elements that diverge from and bring these debates closer to racialist perspectives, bearing in mind that access to higher education institutions has not meant the inclusion of blacks in its entirety. According to the Program to Combat Institutional Racism - PCRI, institutional racism "happens when institutions and organizations fail to provide a professional and adequate service to people because of their color, culture, racial or ethnic origin. Among its many forms of manifestations, racism reveals itself through norms, practices, and behaviors adopted in the daily life of institutions and produces devastating effects on those who receive it. Thinking about social/cultural infrastructures and the impacts of theoretical productions on the ways societies organize and interact is perhaps the great challenge for intellectuals, and, why not say, for anthropologists themselves. However, what is there in common between the system that places black people in a situation of loneliness and the spaces of intellectuality.
The short film seeks to promote a debate about the solitude of black bodies in the academic universe. The narrative points to the various ways imbricated by the system to establish racism, and how the infrastructure of this space, whether through colonial or subjective molds, subordinates the intellectual and political black body, in such a way as not to embrace it in its entirety. In this way, the plot was structured with dialogues, reports of theoretical black bodies, as well as fictional scenes that portray black life at the university. The production of the short documentary arises then having the image as an important communication tool in the field of visual anthropology, in the imaginary that can sharpen and in the senses and reflections that may exist regarding the dimension of infrastructure and affection in black theoretical bodies.
Palavras-chave:
Corpos Negros, Solidão, Racismo Institucional e Universidade.
Keywords:
Black Bodies, Loneliness, Institutional Racism e University.
Ficha técnica:
Autores: Renata do Amaral Mesquita, Rosália C. Andrade Silva.
Direção, pesquisa e edição: Renata do Amaral Mesquita, Rosália C. Andrade Silva, Alex Vailati.
Datasheet:
Authors: Renata do Amaral Mesquita, Rosália C. Andrade Silva.
Diretion, investigation and edition: Renata do Amaral Mesquita, Rosália C. Andrade Silva, Alex Vailati.