Sinopse:

Esse texto possui um caráter reflexivo e crítico sobre a imagem dos povos indígenas projetada por não indígenas. O ensaio fotográfico foi realizado entre os dias 24 e 28 de maio de 2023, ocorreu em Brasília – DF o Acampamento Terra Livre, um espaço integrador de diversas etnias do Brasil, com cerca de 150 povos reunidos. Dentre as muitas questões discutidas durante o evento, a percepção do outro estava presente, com muitos portando câmeras, gravadores e seus blocos de anotações.

A diversidade, para alguns, é motivo de segregação e estranheza. A ideia de um país homogeneizado é vendida e disseminada de várias formas em nossa sociedade como um ideal a ser alcançado. No entanto, para outros, surge uma admiração. Mas que tipo de admiração seria essa? Na luta por um Brasil melhor, é fundamental que se pense na diversidade em suas múltiplas facetas, sem deixar de abordar questões como clima e demarcações territoriais, arte e educação, saúde e combate ao racismo institucional.

Eu, enquanto não indígena, me reconheço como mulher negra, com outras identidades em marcadores sociais, faço parte de um núcleo de estudos que sempre me proporcionou experiências com os povos tradicionais e originários do norte e oeste da Bahia, principalmente na área da educação. Meu interesse sempre foi visual, e com toda permissão e respeito, fotografei ao longo dos anos a presença dos povos indígenas dentro da Universidade do Estado da Bahia, desde a sala de aula até seus rituais em áreas externas. Sem a câmera em mãos, pude perceber, através dos olhares, como a presença deles parecia não ser desejável. Conheci e aprendi com esses diversos povos suas formas de existir nesse sistema tão desigual e desprovido (ainda) de políticas de acesso e permanência em diversos ambientes na sociedade.

Para além de ser fotógrafa e pedagoga, tive a prática e a vontade de inserir nos ambientes por onde passei um pouco da fotografia, mostrando como elaborar novas narrativas é importante para desmistificar a imagem do outro. O Acampamento Terra Livre 2023 foi uma imersão, com povos falantes das mais diversas línguas reunidos em um só lugar. Seus corpos e olhares comunicavam, muitas vezes, mais do que a própria língua. A interação entre os povos, o brilho de orgulho por serem quem são e a afirmação de uma luta que deve ser de todos e todas. A minha abordagem não é a de ser vista como fotógrafa que irá exibir imagens exóticas, mas sim com o intuito de comunicar, de forma imagética, a presença do povo diverso do nosso Brasil.

Sinopsis:

Este texto tiene un carácter reflexivo y crítico sobre la imagen de los pueblos indígenas proyectada por no indígenas. La sesión de fotos fue realizada entre los días 24 y 28 de mayo de 2023, se llevó a cabo en Brasilia - DF el Acampamento Terra Livre, un espacio integrador de diversas etnias de Brasil, con cerca de 150 pueblos reunidos. Entre las muchas cuestiones discutidas durante el evento, la percepción del otro estaba presente, con muchos portando cámaras, grabadoras y sus blocs de notas.

La diversidad, para algunos, es motivo de segregación y extrañeza. La idea de un país homogeneizado se vende y se disemina de varias formas en nuestra sociedad como un ideal a alcanzar. Sin embargo, para otros, surge una admiración. ¿Pero qué tipo de admiración sería esta? En la lucha por un Brasil mejor, es fundamental que se piense en la diversidad en sus múltiples facetas, sin dejar de abordar cuestiones como clima y demarcaciones territoriales, arte y educación, salud y combate al racismo institucional.

Yo, como no indígena, me reconozco como mujer negra, con otras identidades en marcadores sociales, formo parte de un núcleo de estudios que siempre me ha proporcionado experiencias con los pueblos tradicionales y originarios del norte y oeste de Bahía, principalmente en el área de la educación. Mi interés siempre ha sido visual, y con toda permisión y respeto, he fotografiado a lo largo de los años la presencia de los pueblos indígenas dentro de la Universidad del Estado de Bahía, desde el salón de clase hasta sus rituales en áreas externas. Sin la cámara en manos, pude percibir, a través de las miradas, cómo su presencia parecía no ser deseable. Conocí y aprendí con estos diversos pueblos sus formas de existir en este sistema tan desigual y desprovisto (aún) de políticas de acceso y permanencia en diversos ambientes en la sociedad.

Además de ser fotógrafa y pedagoga, tuve la práctica y la voluntad de insertar en los ambientes por donde pasé un poco de la fotografía, mostrando cómo elaborar nuevas narrativas es importante para desmitificar la imagen del otro. El Acampamento Terra Livre 2023 fue una inmersión, con pueblos hablantes de las más diversas lenguas reunidos en un solo lugar. Sus cuerpos y miradas comunicaban, muchas veces, más que la propia lengua. La interacción entre los pueblos, el brillo de orgullo por ser quienes son y la afirmación de una lucha que debe ser de todos y todas. Mi enfoque no es el de ser vista como fotógrafa que exhibirá imágenes exóticas, sino con el objetivo de comunicar, de forma imagética, la presencia del pueblo diverso de nuestro Brasil.

Palavras-chave:

Povos indígenas; Brasil; Identidades; imagem.

Palabras clave:

Pueblos Indígenas; Brasil; Identidades; Imagen.

Ficha técnica:

Autor: Camila de Souza Pereira Brandão.

Direção, pesquisa e edição: Camila de Souza Pereira Brandão.

Sobre a autora: Licenciada em Pedagogia (UNEB). Pós-Graduada em História e Cultura Afro-brasileira (UNIASSELVI). Atualmente, pesquisadora no Centro de Pesquisas em Etnicidades, Movimentos Sociais e Educação (OPARÁ/UNEB/CAMPUS XXVI.

Email: camilapedagogia2017@gmail.com; Nome Artístico: Camila Brandão @camilabrandaoft.

Câmera: Canon 80D.

Local/Ano: Acampamento Terra Livre em Brasília 2023. Financiamento: O presente trabalho teve apoio da UNEB CAMPUS VIII – através do Centro de Pesquisas em Etnicidades, Movimentos Sociais e Educação - OPARÁ.

Ficha técnica:

Author: Camila de Souza Pereira Brandão.

Diretion, investigation and edition: Camila de Souza Pereira Brandão.

Sobre a autora: Licenciada em Pedagogia (UNEB). Pós-Graduada em História e Cultura Afro-brasileira (UNIASSELVI). Atualmente, pesquisadora no Centro de Pesquisas em Etnicidades, Movimentos Sociais e Educação (OPARÁ/UNEB/CAMPUS XXVI.

Email: camilapedagogia2017@gmail.com; Nome Artístico: Camila Brandão @camilabrandaoft.

Câmera: Canon 80D.

Local/Ano: Acampamento Terra Livre em Brasília 2023. Financiamento: O presente trabalho teve apoio da UNEB CAMPUS VIII – através do Centro de Pesquisas em Etnicidades, Movimentos Sociais e Educação - OPARÁ.