Sinopse:

A identidade ribeirinha amazônica é resultado de uma complexa interação entre o território, a cultura e a relação com a natureza (VASCONCELOS, 2016; LIRA E CHAVES, 2016). Os povos que habitam as margens dos rios amazônicos possuem suas práticas cotidianas, conhecimentos tradicionais e na íntima relação com o ambiente, principalmente as águas. Essas nuances são importantes na compreensão dos modos de fazer saúde na Amazônia, com oportunidade para aprender sobre a realidade e diversidade local (KADRI et al, 2022).

Nesse contexto, o desenho se apresenta como uma ferramenta de expressão cultural, possibilitando a comunicação de vivências, histórias e perspectivas dos ribeirinhos de forma visual e simbólica, reconhecido como método de produção de conhecimento (AZEVEDO, 2016; LOTIERZO, 2022). Portanto, o desenho deve ser considerado nas experiências com crianças, com oportunidade para dialogar com formação interdisciplinar e na descrição de ambientes, símbolos e tempos construídos (SOUSA E PIRES, 2021).

Os desenhos produzidos por comunidades ribeirinhas frequentemente revelam nuances sobre a organização espacial e territorial da Amazônia. Representações de rios e florestas, assim como elementos da fauna e flora locais, destacam-se como parte intrínseca de sua identidade. Além disso, retratam os desafios enfrentados, como as intervenções contemporâneas, como o avanço de empreendimentos econômicos no seu entorno, ilustrando de forma singular os impactos desses fenômenos nos diferentes modos de vida (LIRA E CHAVES, 2016).

A prática de desenhar não apenas registra elementos da paisagem física, mas também narra histórias de resistência e pertencimento. Cada traço ou símbolo reflete memórias coletivas e individuais (SARMENTO, 2011), conectando as gerações ao território e promovendo a continuidade de suas tradições. Nesse sentido, o desenho atua como uma forma de resgate cultural e como um espaço de contestação frente às ameaças externas, reafirmando a autonomia dos ribeirinhos na construção de suas identidades (LIRA E CHAVES, 2016).

Por meio do desenho, também se evidencia a relação dinâmica entre os ribeirinhos e o território amazônico. A transformação sazonal dos rios, a abundância da biodiversidade e as formas de uso sustentável dos recursos são temas recorrentes em suas representações gráficas como observado na literatura (LIRA E CHAVES, 2016; KADRI et al, 2022).

Assim, o desenho emerge como uma linguagem universal que traduz as singularidades e complexidades da identidade ribeirinha amazônica. Nesse sentido o registros de desenhos valorizam e dão visibilidade a essas expressões, incentivando sua valorização e preservação em meio às adversidades contemporâneas. Portanto, esse ensaio apresenta registro da experiências com uso do desenho para dialogar sobre identidade e território.

Sinopsis:

The Amazonian riverside identity results from a complex interaction between territory, culture, and the relationship with nature (VASCONCELOS, 2016; LIRA AND CHAVES, 2016). The peoples living along the banks of the Amazon rivers carry out their daily practices, preserve traditional knowledge, and maintain a close connection with the environment, particularly the waters. These nuances are essential for understanding the approaches to healthcare in the Amazon, offering opportunities to grasp the local reality and diversity (KADRI et al., 2022).

In this context, drawing emerges as a tool for cultural expression, enabling the communication of the riverside dwellers' experiences, stories, and perspectives in a visual and symbolic manner, recognized as a method of knowledge production (AZEVEDO, 2016; LOTIERZO, 2022). Therefore, drawing should be considered in activities with children, offering opportunities for interdisciplinary engagement and the depiction of environments, symbols, and constructed timelines (SOUSA AND PIRES, 2021).

Drawings produced by riverside communities often reveal nuances about the spatial and territorial organization of the Amazon. Representations of rivers and forests, as well as elements of local fauna and flora, stand out as intrinsic aspects of their identity. Furthermore, these drawings depict the challenges faced, such as contemporary interventions, including the expansion of economic enterprises in their surroundings, uniquely illustrating the impacts of these phenomena on their diverse ways of life (LIRA AND CHAVES, 2016).

The practice of drawing not only records elements of the physical landscape but also narrates stories of resistance and belonging. Each stroke or symbol reflects both collective and individual memories (SARMENTO, 2011), connecting generations to the territory and promoting the continuity of their traditions. In this sense, drawing serves as a form of cultural preservation and as a space for contestation against external threats, reaffirming the autonomy of riverside communities in shaping their identities (LIRA AND CHAVES, 2016).

Through drawing, the dynamic relationship between riverside communities and the Amazonian territory also becomes evident. The seasonal transformation of rivers, the abundance of biodiversity, and the sustainable use of resources are recurring themes in their graphic representations, as noted in the literature (LIRA AND CHAVES, 2016; KADRI et al., 2022).

Thus, drawing emerges as a universal language that conveys the singularities and complexities of Amazonian riverside identity. In this sense, the documentation of drawings highlights and gives visibility to these expressions, fostering their appreciation and preservation amid contemporary adversities. Therefore, this essay presents a record of experiences using drawing as a means to discuss identity and territory.

Palavras Chave:

Desenho, identidade Ribeirinha.

KeyWords:

Design, fishing identity.

Ficha técnica:

Autores: Rayelly Cristina de Sousa Azevedo; Denival Alves Melo e Nádile Juliane Costa de Castro.

Direção, pesquisa e edição: Rayelly Cristina de Sousa Azevedo; Denival Alves Melo e Nádile Juliane Costa de Castro.

Fotografia: Nádile Juliane Costa de Castro, Denival Alves Melo.

Datasheet:

Authors: Rayelly Cristina de Sousa Azevedo; Denival Alves Melo e Nádile Juliane Costa de Castro.

Diretion, investigation and edition: Rayelly Cristina de Sousa Azevedo; Denival Alves Melo e Nádile Juliane Costa de Castro.

Photografy: Nádile Juliane Costa de Castro, Denival Alves Melo.

Refrências:

VASCONCELOS, Maria Eliane Oliveira. Identidade cultural ribeirinha e práticas pedagógicas. Paco Editorial, 2016.

EL KADRI, M. R.; SCHWEICKARDT, J. C.; FREITAS, C. M. DE . Os modos de fazer saúde na Amazônia das Águas. Interface - Comunicação, Saúde, Educação, v. 26, p. e220056, 2022.

AZEVEDO, Aina. Desenho e antropologia: recuperação histórica e momento atual. Cadernos de Arte e Antropologia, v. 5, n. 2: 15-32, 2016. http://journals.openedition.org/cadernosaa/1096.

SOUSA, E. L. DE .; PIRES, F. F.. Entendeu ou quer que eu desenhe? Os desenhos na pesquisa com crianças e sua inserção nos textos antropológicos. Horizontes Antropológicos, v. 27, n. 60, p. 61–93,maio 2021.

SARMENTO, Manuel Jacinto. Conhecer a infância: os desenhos das crianças como produções simbólicas. 2011.