Gavião: Paidéia Parkatejê

Autores

  • Philipi Bandeira Universidade Federal de Pernambuco

Palavras-chave:

Antropologia Compartilhada, Etnografia Visual, Documentário, Etnologia indígena, Gavião do Pará.

Resumo

Registrado durante vinte intensos dias em 2011, na aldeia Parkatejê (Terra Indígena Mãe Maria - município de Bom Jesus do Tocantins/ PA), o ensaio fotográfico com os Gavião do Pará parte de uma perspectiva etnográfica direta para ser editado, anos após, sob um viés estético (curatorial) e antropológico. O registro de jogos e festas tradicionais se deu por ocasião de uma grande mobilização comunitária em torno da produção de um livro e da gravação de um filme sobre as memórias do cacique “Krokrenum”, o “Capitão” dos Gavião. Nestas fotografias, a proposta é que o instante etnográfico possa atrair percepções para uma tessitura mais densa, abordando as relações de gerações entre os Gavião, buscando o afeto e a transmissão de conhecimentos como filtros condutores sensíveis do espectador emancipado.

Liderança tradicional dos Parkatejê, Kohokrenhum conduziu a etnia em meio século de lutas: à partir do primeiro contato com os brancos, em 1957, quando seu grupo então contava com cerca de trinta adultos apenas, vítimas de epidemias e conflitos, até a atualidade, com as recentes batalhas físicas e jurídicas contra as gigantes Vale e Eletronorte, nas duas últimas décadas. Atravessando massacres, tragédias, guerras, servidão, resistência étnica e um incrível crescimento demográfico, Kohokrenhum narra com lucidez o período da tutela exploratória do SPI e da Funai e o levante de emancipação indígena, que expulsou e depois processou os organismos estatais, seguindo-se a luta pela efetiva demarcação da Terra Indígena, arrastada desde 1943, mas que na década de 1970 enfrentou de frente grileiros, fazendeiros e posseiros do sul do Pará, com mortes para ambos os lados, até a completa regulamentação oficial pelo Estado.

Dos mais velhos que praticamente só falam o idioma nativo, de tronco Jê, aos jovens que praticamente só falam o português, a aldeia é dividida também pelos que têm o conhecimento tradicional étnico e os que não o possuem ou o empregam na vida diária. O ensaio fotográfico, abordando instantes únicos destas relações através de jogos preparatórios para a Festa do Tepe (peixe), é uma busca estética e afetiva de condensar uma rica cultura Timbira em grande processo de transformação.

O registro etnográfico dos jogos e preparativos da Festa do Tepe (peixe) ocorreu possibilitado por uma ocasião singular, em que toda aldeia Parkatejê estava mobilizada e concentrada para a elaboração de um livro e para a gravação de um filme colaborativo pelos jovens da etnia, em 2011, em metodologia participativa conduzida pelo projeto Vídeo nas Aldeias. Do processo foi produzido um filme intitulado "Krohokrenhum", de Vincent Carelli e Ernesto de Carvalho, e um livro de autoria dos próprios Gavião, intitulado "Me Ikwe Teje Ri - ninguém sabe o duro que dei", sobre a vida e memórias do capitão dos Gavião, Kohokrenhum.

 

Ficha técnica:

Autores: Philipi Bandeira

Fotografias: Philipi Bandeira

Direção, Edição de Imagem e Texto:Philipi Bandeira

 

Gavião: Paidéia Parkatejê

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Publicado

2024-02-08

Edição

Seção

Ensaios Fotográfico