Um olhar sobre a ecoespiritualidade urbana

Autores

  • Dannyel Teles de Castro Universidade do Estado do Pará (UEPA).

DOI:

https://doi.org/10.51359/2526-3781.2017.24098

Palavras-chave:

Ecoespiritualidade, Grupos urbanos, Sociabilidade, Neopaganismo.

Resumo

A ecoespiritualidade é uma forma de religiosidade que visa romper com os paradigmas ocidentais da relação entre ser humano e natureza, aproximando ambos. É praticada por diferentes grupos religiosos urbanos, principalmente no interior de movimentos alternativos. Os neopagãos, por exemplo, frequentemente ocupam áreas verdes das cidades nos finais de semana para a realização de rituais nos quais chamam pelas suas divindades de culto, geralmente ligadas aos diversos aspectos da natureza. O Neopaganismo é um fenômeno constituído de diferentes religiões que buscam resgatar aspectos da religiosidade de antigas civilizações, anteriores ao período de ascensão do cristianismo. Se por um lado na era pré-cristã essas práticas se davam no meio rural, por outro, seu reavivamento na modernidade emergiu em grandes centros urbanos, estando atrelado a estilos de vida cosmopolitas específicos do contexto moderno. Nas cidades, as religiões que fazem parte do corpus do Neopaganismo não possuem templos propriamente ditos, daí a importância que espaços como praças, parques e bosques desempenham para as práticas religiosas e de sociabilidade desses indivíduos.

Frequentemente, nessas religiões, a natureza é personificada na figura da Mãe Terra. Trata-se de uma atribuição feminina, pois acredita-se que a natureza possui características como geradora, nutridora, acolhedora. A Mãe Terra, por sua vez, é uma divindade imanente, não estando em posição transcendente com relação à realidade metaempírica. Mais do que isso, a noção de sagrado imanente remete a uma “identidade de substância que perpassa todas as esferas do real: os seres humanos, a paisagem natural, os animais, os mortos e o cosmos” (OLIVEIRA, 2010, p.31). A forma pela qual a Mãe Terra é cultuada possui diferentes contornos nas várias sendas do movimento neopagão. Se na Wicca ela corresponde a divindade central do culto em uma dimensão impessoal (Grande Deusa, Grande Mãe) ou nominada através de uma das diversas deusas ligadas à terra encontradas em diferentes culturas (Gaia, Pachamama), em religiões como o Druidismo tal figura é vista através da deusa Dannu, uma das divindades que compõem o panteão dos povos célticos. Independente da realidade cultural em que essa religião é praticada, os druidas modernos prestam reverências à Terra, isto é, à deusa Dannu.

O ensaio fotográfico propõe um olhar sobre a ecoespiritualidade praticada no contexto urbano, a partir do caso etnográfico de um grupo neopagão paraense, mais especificamente druidista, denominado Clann an Samamúma. O olhar específico será lançado sobre uma celebração realizada em um dos jardins botânicos da cidade, o Museu Paraense Emílio Goeldi, na ocasião do Dia da Terra de 2016. O evento aconteceu debaixo de uma das samaumeiras que existem no local, considerada a “matrona” do grupo, e consistiu em uma roda de cânticos, meditações, tambores e danças circulares. Todas as atividades foram feitas em “honra” à Mãe Terra, representada em um altar montado no centro da roda. Um dos cânticos entoados dizia que “a terra é nossa mãe, devemos cuidar dela/ seu solo é sagrado e sobre ele andamos/ unidos, minha gente, somos um”, remetendo à ideia presente no Druidismo de que todos estão interligados pela sacralidade da terra.

 

Ficha técnica:

Autora: Dannyel Teles de Castro

Fotografias:Dannyel Teles de Castro

Direção, Edição de Imagem e Texto:Dannyel Teles de Castro

 

Um olhar sobre a ecoespiritualidade urbana

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Publicado

2017-07-21

Edição

Seção

Ensaios Fotográfico