Fado ou frevo no Carnaval dos Bichos? – A folia do Taboquinhas
DOI:
https://doi.org/10.51359/2526-3781.2017.24102Palavras-chave:
Taboquinhas, Carnaval, Cultura Popular, Frevo, Fado, Clube de FadosResumo
Esse vídeo foi apresentado como parte do trabalho de conclusão de curso (TCC) em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O estudo se debruçou sobre o grupo Taboquinhas, fundado em 1924 no interior de Pernambuco, mais especificamente na cidade de Vitória de Santo Antão, um dos polos da folia no interior do estado e local conhecido também por seu “carnaval de bichos”, devido às agremiações carnavalescas que possuem nomes de animais. O Taboquinhas é único remanescente ativo dos antigos “clubes de fado” que existiam na cidade. Segundo o historiador José Aragão (1983), os fados, juntamente aos clubes de manobras (ou de pedestres), foram os primeiros clubes organizados em Vitória, surgidos nas duas últimas décadas do século XIX. Algumas características do Taboquinhas, são apresentadas ao longo do vídeo, através de depoimentos, filmagens de dois dias de desfiles no ano de 2016 e através do uso de material histórico.
O nome do grupo faz referência à batalha das Tabocas, que aconteceu no Monte das Tabocas, em Vitória, nos anos de 1645 e que resultou no início da expulsão dos holandeses do estado de Pernambuco. A peculiaridade da agremiação reside no fato de tratar-se de um fado carnavalesco, elemento que o torna — pelo menos até então — a única agremiação do tipo ainda em atividade no carnaval do estado de Pernambuco, além de ser uma agremiação tipicamente vitoriense, não sendo encontrada em outras cidades. O título do trabalho faz referência a suposto “fado” do grupo Taboquinhas, questionando se haveria uma relação com o fado (gênero musical) português ou com o frevo.
O Taboquinhas é formado em maioria por adultos e idosos, mas conta com participação de jovens, alguns filhos, netos e sobrinhos dos mais velhos. A disposição para o desfile é feita por dois “cordões” de homens e mulheres vestindo trajes (e cores) de camponeses portugueses, um porta-estandarte, as duas figuras principais Senhora Helena, Sinhá Pequena e por uma pequena orquestra de pau e corda, composta por bandolim, pandeiro, rabeca e violões. Embora se trate de um clube de fados, a sonoridade é próxima da de um frevo de bloco (aquele tocado pelos blocos líricos). Apesar disso, o Taboquinhas não é um bloco lírico, embora toque frevo de bloco ou marcha de bloco. Tanto ele quantos clubes de fados apresentam certas características específicas, o que não o torna um caso isolado de bloco lírico com personagens diferentes ou algo do tipo. Eles apresentam a peculiaridade de os membros trajarem vestes do tipo português, de ter a taboca – um tipo de vara de bambu que vai sendo batida no chão ao longo do desfile – como elemento presente na performance, além de possuírem duas figuras centrais: senhora Helena e sinhá Pequena, que não estão presentes nos blocos líricos.
Por fim, este vídeo pode ser considerado com uma introdução a este tipo de agremiação até então pouco estudada e denominada de clube de fado, voltado mais especificamente para a Taboquinhas, enquanto remanescente e grupo muito querido, presente no imaginário da população local como um patrimônio de seu carnaval.
Ficha técnica:
Direção: Hérika Araújo, Saulo Lima, Walter Andrade
Argumento: Walter Andrade
Fotografia: Saulo Lima, Walter Andrade
Edição e Montagem: Walter Andrade
Trabalho de conclusão de curso: Walter Andrade
Orientação: Lady Selma Ferreira Albernaz
Co-orientação: Ana Cláudia Rodrigues da Silva e Luciana Mendonça
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